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Fim de abono deve causar corrida às aposentadorias

18 de setembro de 2015

O fim do abono de permanência no serviço público federal poderá se transformar numa bomba-relógio para as contas do governo, além de provocar o colapso do atendimento nas Agências da Previdência Social (APS). O abono é um estímulo para o servidor ficar mais tempo no batente. Hoje, 101 mil servidores ganham a bonificação. O Ministério do Planejamento estima economizar R$ 1,6 bilhão em 2016 com a extinção do benefício. Mas o efeito poderá ser contrário e provocar a corrida à aposentadoria. A situação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é mais complicada porque mais de 50% dos servidores têm as condições de se aposentar, mas permanecem na ativa para não perder o abono, que representa até 40%do salário.

O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social de Pernambuco (Sindsprev), Luiz Eustáquio, diz que o abono de permanência é calculado em cima do salário bruto do funcionário público. “Se acabar o incentivo para o trabalhador ficar na ativa, a expectativa é que haja uma corrida à aposentadoria”, ratifica. O sindicalista alerta que a maioria dos servidores das Agências da Previdência Social (APS) de Pernambuco está em condições de se aposentar. E completa: “O fim do abono vai desestruturar o INSS porque a categoria está envelhecida.” 

 A técnica do Seguro Social, Maria das Graças Santana de Almeida, tem 58 anos e 34 anos de serviço público. Há três anos ela tem condições de se aposentar, mas se segura para manter o padrão de renda. “Se tirar o abono de permanência, eu perco R$ 1 mil da minha renda”, conta. Além do abono, a servidora terá uma perda de 50% da gratificação por desempenho de atividade essencial (GDAE) que é paga aos previdenciários da ativa. “Sou arrimo de família e não tenho como sobreviver.” 

Ana Ruth Muniz de Araújo Cavalcanti, 57 anos e 33 anos de batente, está no mesmo barco. Ela adia a aposentadoria há três anos. “O abono é um incentivo para eu continuar trabalhando. Se o governo tirar eu vou perder R$ 1,3 mil, somando com 50% da gratificação eu tenho perda de 40% do salário. É muita coisa”, contabiliza. Segundo ela, no setor onde trabalha se todos decidirem se aposentar a divisão de benefícios fecha as portas por falta de pessoal. 

 Levantamento do Sindsprev indica que na Gerência Recife do INSS onde estão subordinadas 69 agências previdenciárias, 410 do total de 857 servidores lotados estão no abono de permanência. Dos 439 restantes, a maioria tem direito à bonificação até 2017 se permanecerem na ativa. Na agência da Corredor do Bispo, mais de 90%dos servidores têm condições de se aposentar. O Diario procurou o INSS para se posicionar, mas até o fechamento da edição não obteve uma resposta.

Fonte: Diario de Pernambuco

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