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Fim da CPMF pode irritar investidor

10 de dezembro de 2007

 

BRASÍLIA (AE) – Os investidores, que este ano não tiveram motivos para reclamar do Brasil, vão reagir mal caso a CPMF não seja prorrogada. Não é por serem fãs do tributo. É por não gostarem do que pode acontecer nos dias seguintes. “O mercado duvida da capacidade do governo de fazer os ajustes necessários”, disse o economista Denis Blum, da Tendências Consultoria Integrada. Ao analisar o Orçamento de 2008, a consultoria concluiu que é possível cortar R$ 40 bilhões em despesas, acomodando o fim da CPMF.

“Mas para isso seria necessário reduzir o ritmo dos investimentos e cortar políticas sociais, o que é um cenário pouco provável.” Para a Tendências, a saída mais provável do governo seria a redução do superávit primário (a economia para pagamento dos juros da dívida pública). É disso que os investidores não gostam.

Se o governo pagar menos juros, a dívida vai crescer. Com isso o risco País sobe e o Brasil fica menos atraente para investimentos. Se investimentos saírem do Brasil, a cotação do dólar subirá. Dólar mais caro significa risco de inflação. Se há risco de inflação, o Banco Central pode elevar os juros, freando o crescimento econômico.

Economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Lima Gonçalves tem visão menos alarmista. Primeiro, porque acha que a CPMF vai passar. “Se tirarem a CPMF agora, o próximo presidente não vai pegar uma situação fiscal tão boa, vai receber um orçamento arrebentado.”
Na hipótese de a CPMF cair, ele acredita que haverá deterioração de expectativas entre os agentes econômicos, mas o governo poderia evitar o cenário mais pessimista se não anunciasse uma decisão de reduzir o superávit primário. “Se explicitar, os mercados vão reagir.”
A redução do superávit primário vem sendo apontada pelos técnicos do governo como a saída menos dolorosa, caso a CPMF não seja prorrogada. Mas o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, já declarou, em recente entrevista, que seria uma alternativa ruim, especialmente porque a crise financeira dos Estados Unidos não está superada e o Brasil tem se mantido a salvo graças à solidez de suas contas.

Existe a opção de mudar tributos cuja elevação não depende de autorização do Congresso. É o caso dos Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) e sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Finalmente, há como cortar gastos. Mantega também já disse que o PAC será redesenhado e o PAC do saneamento encolherá. Além disso, verbas adicionais para saúde e educação não serão liberadas.

Fonte: Folha de Pernambuco

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