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Fila por leitos só aumenta
6 de janeiro de 2022A epidemia da gripe H3N2 em Pernambuco, que ganha força dia após dia especialmente no Recife, faz os hospitais vivenciarem, mais uma vez, uma pressão que leva profissionais de saúde a mergulharem na exaustão e no esgotamento. Após duas ondas intensas de covid-19 no Estado (em 2020 e em 2021), médicos, enfermeiros e demais trabalhadores da área voltam a atuar em plantões para salvar vidas de pessoas com síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Com 80% das vagas de terapia intensiva (UTI) e 74% das enfermarias ocupadas por pacientes com esse quadro, Pernambuco retoma os cenários de pico do coronavírus, com UTIs que têm praticamente todos os doentes em ventilação mecânica (no respirador) e mais de 400 pessoas em fila de espera por uma vaga de terapia intensiva ou de enfermaria. Além de precipitada (influenza geralmente ocorre com maior frequência a partir de março), a gripe atual tem uma diferença importante de cepas anteriores: é muito transmissível e tem um curto período de incubação. Ou seja, muita gente tem adoecido ao mesmo tempo e de forma muito rápida após a exposição ao vírus.
“Eu senti uma piora brusca (aumento no número de doentes) de três semanas para cá. Foi tudo de forma muito repentina. Estava tudo tranquilo para o que se espera de uma UTI. Mas rapidamente muitas pessoas começaram a aparecer nos hospitais com um quadro (de gripe) bastante forte. Agora, os dez leitos de um serviço onde trabalho permanecem sempre ocupados. E o perfil dos pacientes é de gravidade; a maioria intubados (por SRAG)”, conta a médica Beatriz Fried, que trabalha atualmente em dois hospitais que oferecem assistência a pacientes com quadro de SRAG.
A cada plantão, a médica diz que há de 60% a 70% em ventilação mecânica (no respirador). “Antes desse surto de gripe, tínhamos leitos vazios, e a maioria das pessoas em UTI estava sob controle, com cateter nasal (tubinho com dois prolongamentos, conectado a um dispositivo para o suprimento de oxigênio através do nariz). Neste momento atual de H3N2, já houve dia em que, pouco tempo após a liberação da vaga em UTI, eu já estava recebendo as instruções para receber um novo paciente. Isso mostra que os leitos não ficam vagos um só instante”, acrescenta.
Assim como há lista de espera para leitos de UTI voltados a adultos, existe uma fila para vagas na pediatria. Ontem havia 13 solicitações de vagas em UTI para crianças e mais 26 leitos em enfermaria para a mesma faixa etária. “Nos casos das gestantes, a situação também é delicada. Temos percebido um aumento de mulheres grávidas com quadros respiratórios nas UTIs”, destaca Beatriz, que também trabalha em serviço de terapia intensiva na área da obstetrícia.
MAIS LEITOS
Segundo o governo de Pernambuco, foram abertas, desde o dia 24 de dezembro, 329 novas vagas na rede estadual – entre elas, 119 de UTI. A previsão é que sejam criados, nos próximos dias, outros 149 leitos, sendo 80 de UTI e 69 de enfermaria. “Estamos trabalhando para garantir a assistência a quem precisa, colocando em prática um plano de contingência, porque temos uma forte pressão sobre a rede de saúde, tanto nas urgências, como nos setores de internação. Assim, estamos retomando os esforços para conversão de leitos para o atendimento de quadros respiratórios”, disse o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo.
“Mas destaco que, apesar destes esforços, o governo do Estado não vai conseguir, sozinho, vencer essa batalha. O reforço no uso da máscara, na lavagem das mãos e a atitude de evitar aglomerações são ações de proteção à vida. Além disso, quem tiver qualquer sintoma de gripe deve fazer o autoisolamento e colocar a máscara, mesmo dentro de casa”, reforçou Longo.
Atende em Casa sobrecarregado
O Atende em Casa, que oferta orientações e teleorientação por um profissional de saúde aos pacientes com sintomas gripais, sente o quanto a epidemia da gripe H3N2 é intensa no Recife. O acesso ao sistema, que pode ser por aplicativo ou pelo atendeemcasa.pe.gov.br, não tem sido fácil. Após digitarem informações básicas sobre o quadro de saúde, as pessoas têm enfrentado uma longa espera até ser atendido por um profissional. E, às vezes, nem consegue.
Segundo o médico de família e comunidade Gustavo Godoy, coordenador do Telessaúde Recife, tem aumentado, a cada dia, a demanda reprimida (pessoas que procuram o serviço e não conseguem ser atendidas pela alta demanda) do Atende em Casa. “Na última terça-feira (4), por exemplo, 622 pessoas foram atendidas, mas outras 267 ficaram sem ter o nosso contato naquela data. Mas no dia seguinte, sempre tentamos retomar o contato”, diz Gustavo. Ele também reconhece que o tempo de espera para o usuário da ferramenta, com síndrome gripal, falar com um profissional de saúde tem aumentado. “Há quem demore horas na espera.” Ele acrescenta que o município tem trabalhado para agilizar o atendimento ofertado pelo serviço.
A Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) informa que reforçará o Atende em Casa com mais 40 profissionais, entre médicos, enfermeiros, reguladores, gestores e residentes. “Parte desses novos trabalhadores já passou por treinamento e deve começar os trabalhos nos próximos dias”, diz, em nota, a Sesau. Com essa expansão, segundo Gustavo Godoy, o serviço vai funcionar de domingo a domingo. Atualmente o atendimento é ofertado de segunda-feira a sábado, entre 7h e 19h, à população que apresenta sintomas gripais. De acordo com o que for relatado pelo paciente, o profissional de saúde pode teleorientar a ficar em casa, a fim de evitar as superlotações nas unidades e, dessa forma, fazer o telemonitoramento. Se o quadro for mais severo, a pessoa é orientada a procurar o sistema de saúde.
BALANÇO
Desde março de 2020, início da pandemia de covid-19 na capital pernambucana, o Atende em Casa realizou mais de 130 mil atendimentos a pessoas com sintomas gripais. A maioria das que utilizaram o aplicativo foi acolhida e orientada a realizar o isolamento domiciliar, a fim de evitar deslocamentos desnecessários de milhares de pessoas com quadros leves da doença.
Com o avanço da influenza H3N2 na capital pernambucana, nas duas últimas semanas, quase nove mil novos usuários se cadastraram na plataforma, que registrou mais de 16 mil autoavaliações de sintomas. Nesse período, foram realizados 3.150 atendimentos por videochamada ou telefone.
Fonte: Jornal do Commercio
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