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Fiado está cada dia mais prejudicial

6 de junho de 2014

O Banco Central interrompeu o ciclo de altas na taxa básica de juros na semana passada, mantendo a Selic a 11% ao ano, mas a tendência é que os juros ao consumidor ainda continuem numa escalada de alta. Para os especialistas, essa é a hora de segurar as compras e evitar qualquer tipo de financiamento. "O crédito está mais caro e mais curto. Temos a inflação que corrói a renda das pessoas, num cenário de baixo crescimento e risco de desemprego. Com isso, há o risco de inadimplência, os bancos ficam mais seletivos na concessão do empréstimo, o que faz as taxas se elevarem", comenta o diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Oliveira.

Ele faz um alerta. "Quando a pessoa contrata um financiamento, a taxa contratada vai até o fim. Se neste período de pagamento a taxa cair, o consumidor vai continuar pagando a mais cara. Portanto, a melhor alternativa é adiar a compra parcelada e, se não tiver jeito, pesquisar muito antes de assumir o compromisso", disse.

O economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), Nicola Tingas, explica que o cenário dos juros pode ser lido de duas maneiras pelo consumidor: na questão do custo do dinheiro e também no que se refere ao uso do crédito.

No primeiro aspecto, o executivo explica que o custo do dinheiro veio subindo em função da inflação. "O crédito está bem mais caro do que há um ano. Então, é evidente que quando o Banco Central faz o aperto monetário, quer desestimular a demanda e encarecer o crédito para conter a inflação", comentou. Segundo ele, a manutenção da taxa na última reunião do Copom reflete que o remédio pode não ser mais suficiente. "O BC viu que subir mais os juros seria ineficiente, dentro de uma política fiscal frouxa. Então, dentro do modelo de meta de inflação, o BC entrou na fase de observância", comentou. Segundo ele, quando a autoridade monetária dá essa sinalização (de manutenção das taxas), isso acomoda os juros no mercado futuro e dessa forma a taxa para de subir para o consumidor, apesar de se estabilizar na alta.

No caso do uso do crédito, Tingas avalia que o próprio consumidor já fez a sua escolha. O momento agora é de esperar, diz. "O grande problema é que a economia está rodando num giro baixo. O (crescimento do) PIB está em 1% ou menos. E quando olhamos os índices de confiança, não temos pretensão de investir e consumir. O orçamento está extremamente apertado. Então, quando o consumidor olha para o futuro vê que não terá mais dissídios ou aumentos acima da inflação. A oferta de novos empregos tem sido baixa e algumas indústrias, como a automobilísticas, iniciam PDVs e férias coletivas. Então o consumidor fica preocupado com a economia que roda com baixa atividade e com inflação alta. Isso afasta o consumo", avaliou. Nesse ambiente, diz, a pessoa só deve consumir depois de avaliar se tem renda livre. "Tanto os bancos como os consumidores estão mais seletivos com o crédito", disse.

Fonte: Jornal do Commercio

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