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Estaleiro e metalúrgicos fazem acordo
25 de setembro de 2008Micheline Batista // Diario
Após três dias de paralisação, os metalúrgicos do Estaleiro Atlântico Sul conseguiram chegar a um acordo com os patrões. A demissão dos 48 trabalhadores que, na visão da empresa, estavam à frente do movimento, não foi revogada. Entretanto, o acerto garantiu-lhes um desligamento comum e não por justa causa. Além das verbas rescisórias, como aviso prévio e 40% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), eles receberão uma bonificação equivalente a um salário.
Em compensação, o estaleiro comprometeu-se a pagar um curso profissionalizante de até R$ 500 para cada funcionário demitido. Vigilância e telemarketing são algumas das opções. “Vamos monitorar o comparecimento dos trabalhadores aos cursos e depois o próprio Ministério Público do Trabalho vai se esforçar para reencaminhar essas pessoas ao mercado de trabalho”, disse o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho de Pernambuco, Aloísio Aldo da Silva Júnior.
Outro avanço foi a suspensão das demissões por um prazo de 90 dias. Novos desligamentos, se houver, só em situações especiais e com a mediação do sindicato e do Ministério Público do Trabalho. O Atlântico Sul também aceitou não descontar os dias parados, que devem ser compensados no futuro. Foram mais de dez horas de negociação na terça-feira e pelo menos mais cinco horas ontem. O acordo foi assinado por volta das 20h na Procuradoria Regional do Trabalho, no bairro do Espinheiro.
De acordo com Silva Júnior, os trabalhadores farão hoje, às 7h, uma assembléia pró-forme na porta do estaleiro apenas para referendar o que foi acertado ontem. Depois retornarão ao trabalho. “Foi algo trágico. Infelizmente esse pessoal virou uma massa de manobra e acabou enveredando por uma greve ilegal e abusiva”, comentou o procurador-geral. São cerca de 1,2 mil metalúrgicos no estaleiro.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE), Alberto Alves dos Santos, o Betão, disse que o acordo fechado ontem foi o possível. “Eles (os trabalhadores) foram vítimas da irresponsabilidade política de Moacir Paulino. O que aparentava ser um movimento espontâneo depois descobriu-se ter sido provocado por ele, clandestinamente”, disparou Betão. Paulino, vice-presidente do sindicato, assumiu interinamente a presidência em julho após uma eleição marcada por denúncias e suspeitas de fraude e desvio de verbas. No dia 15 deste mês, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a posse de Betão e membros da diretoria de forma definitiva. Depois disso Paulino sumiu, deixando armada a bomba-relógio no estaleiro.
Fonte: Diário de Pernambuco
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