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Estados querem aumentar impostos para os veículos
22 de agosto de 2008
Uma proposta saída de Pernambuco está ganhando fôlego e pode resultar em preço de automóveis novos mais caros. Trata-se da alteração da alíquota do ICMS de veículos novos, que atualmente é de 12%, para 17%. A mudança será analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que acontece no final de setembro, na Bahia. A notícia chega menos de uma semana depois do anúncio de reajuste no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para operações de leasing, que vinham sendo preferidas pelos consumidores – em algumas concessionárias do Recife até 80% das compras era realizadas nesse modelo. O governo federal aumentou de 1,5% para 3,38% a alíquota do encargo.
A proposta saiu de uma reunião entre técnicos fazendários do Nordeste, que estiveram reunidos em junho deste ano
Desde então, os técnicos fazendários trabalharam silenciosamente na proposta que pode resultar em aumento de preço dos veículos. Da proposta original, o grupo de trabalho fez alguns “ajustes” e começou a desenhar uma política que aumentaria os impostos também dos veículos 1.0, ficando de fora apenas ônibus e caminhões.
O setor automobilístico vive um dos melhores momentos do Brasil, com produção batendo recorde e alcançando a marca histórica de 3 milhões de veículos produzidos. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), apenas no primeiro semestre de 2008 foram produzidos 1,68 milhão de veículos – um volume 21,1% a mais do que no mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, o fisco de Pernambuco e as receitas do Tesouro Nacional também vivem um dos seus melhores momentos, com recordes contínuos de arrecadação, o que indica que aumentar impostos neste momento não é para cobrir eventuais déficits. Em todos os meses deste ano, a arrecadação federal bateu recorde, a ponto de já ter arrecadado R$ 40,004 bilhões a mais de janeiro a julho deste ano, quando comparado com o ano passado. Em Pernambuco, até maio, a receita tributária alcançou R$ 2,851 bilhões, quando no mesmo período do ano passado esse valor foi de R$ 2,487 bilhões – uma diferença de R$ 364 milhões.
Para Paulo Figueiredo, diretor da Via Sul, concessionária Fiat no Recife, o aumento do ICMS é muito mais uma medida para aumentar a arrecadação do que uma iniciativa de combate à inflação. “O setor automotivo registrou uma inflação de apenas 2,8% neste primeiro semestre, muito abaixo do índice geral. Não há outra explicação se não querer arrecadar mais. E nós não temos como absorver esse aumento. Teremos que repassá-lo para o consumidor. O governo está fazendo de tudo para atrapalhar o bom momento vivido pelo mercado. Vai acabar conseguindo”, reclamou.
Fonte: Jornal do Commercio
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