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Estados conseguem zerar déficit e operam no azul

24 de outubro de 2007

 

Qualquer dona-de-casa sabe quando o orçamento familiar está no vermelho ou no azul. No vermelho, é hora de cortar gastos. Difícil é saber como operar no azul. Ir às compras, fazer investimentos? Os estados brasileiros, com exceção do Rio Grande do Sul, estão nessa situação. O tão sonhado déficit nominal zero foi alcançado pela maioria dos governos estaduais em 2007, conforme mostra levantamento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo. Com base nos relatórios financeiros de 24 unidades da federação, chega-se a um superávit nominal de R$ 13,7 bilhões entre janeiro e agosto, feito inédito na história das finanças públicas do país.

O superávit nominal ocorre quando a receita é suficiente para pagar todos os gastos, incluindo, no caso do ente público – União, estado ou município – as despesas com os juros das dívidas e os investimentos realizados. O balancete da execução orçamentária, referente ao mês de agosto, indica que Pernambuco também fechou o segundo quadrimestre no azul. Foram R$ 5,76 bilhões de receitas, contra R$ 4,91 bilhões de despesas, resultando em um superávit de R$ 847,24 milhões no acumulado do ano.

Os números do quarto quadrimestre serão apresentados oficialmente hoje pela Secretaria da Fazenda em uma audiência pública na Assembléia Legislativa. O secretário executivo da Receita Estadual, Lincoln Santa Cruz, reconhece que o estado caminha para uma situação de equilíbrio, mas diz que o superávit não significa folga. “Estamos com os indicadores positivos, a receita vem crescendo, mas isso não significa que podemos descuidar. Esses recursos já estão todos comprometidos”, argumenta.

Lincoln lembra que existe um conjunto de despesas ainda não computado no exercício, como convênios, licitações em andamento e as contrapartidas para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outra despesa relevante, o pagamento do 13º salário dos servidores, também não está provisionada. “A folga ocorre porque ainda estamos em início de gestão”, explicou o secretário executivo.

Metas – O economista Alexandre Rands, da Datamétrica Consultoria, afirma que todo início de governo é assim. “É normal a receita ser maior do que a despesa. Os governos tendem a economizar no primeiro ano. Também houve crescimento na arrecadação”, observa. O importante, diz ele, é definir metas claras para gastar esse dinheiro, do contrário a folga é engolida pela máquina, sem gerar benefícios à população. “O governo deve aproveitar a folga para ampliar os investimentos em educação, saúde, segurança e infra-estrutura”, defende.

Fonte: Diário de Pernambuco

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