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Estado mais resistente à crise financeira

30 de dezembro de 2008

 

 


Luciana Veras // Diario
lucianaveras.pe@diariosassociados.com.br


Na opinião do Banco Central, não há país ou estado que sairá imune da crise no sistema financeiro mundial, mas existem indícios concretos de resistência ampla e eficaz em Pernambuco e na região Nordeste. A constatação foi feita pelo diretor de Política Econômica da instituição, Mário Mesquita, que ontem pela manhã apresentou no Recife o relatório de inflação do quarto trimestre de 2008. Um dado elucidativo está na sétima parte do documento intitulado Perspectivas para a Inflação: o gráfico da variação real do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, do Nordeste e de Pernambuco, entre 2003 e 2008, com dados do próprio BC e do IBGE. Para 2008, o crescimento pernambucano se estabelece entre 7% e 7,5%, maior do que os 5,5% brasileiros e os quase 6% nordestinos. “Repete-se uma tendência percebida desde 2006”, pontuou Mesquita.

Para ele, são vários os fatores que sugerem que a economia nordestina e pernambucana “demonstrará uma maior resiliência” frente à crise. “Primeiro, o Nordeste não é uma região muito aberta ao comércio externo, ao contrário da região Sudeste. Isso é algo que em outro momento precisa ser superado, mas que, no entanto, em na conjuntura atual de desaceleração, é um dos fatores de resistência”, disse. “Há também a participação do setor público dentro da atividade financeira, o que dá uma certa segurança”, acrescentou Mesquita. A participação da administração, saúde e educação públicas no PIB regional é de 20%, ao contrário dos 12% do Sudeste. Mais: os recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) destinados à região no período 2007/2010 atingem cerca de 25% do PIB, dez pontos a mais do no Sudeste.

Pernambuco e o Nordeste, assim, não serão “totalmente imunes”, até porque, Mesquita lembrou, ninguém escapou do tsunami econômico e da “mais severa crise desde 1930”, ainda que as ondas locais sejam mais próximas da “marolinha” descrita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O diretor de Política Econômica destacou, ainda, que oturismo pode contribuir para o fortalecimento regional, “em especial no verão que se inicia”: “Em suma, há elementos que nos levam a acreditar que a densidade econômica do estado e da região tenha mais resistência à desaceleração”.

IDH – Outro indicador ressaltado é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em 1991, a diferença entre o IDH nacional e o pernambucano era de dez pontos percentuais. “A dinâmica do crescimento do estado fez com que essa diferença diminuísse de forma bem significativa”, corroborou Mesquita. Outros valores capacitam estado e região contra a crise, como o índice de variação acumulada em 12 meses da produção da indústria de transformação (Pernambuco tem mais de 6%, o Nordeste chega a 3%, o Brasil está próximo a 6%) e o volume de vendas no varejo (entre janeiro e outubro de 2008, o Nordeste esteve sempre à frente das outras regiões).

Há ainda a balança comercial, com considerável aumento de importações e exportações. “Isso significa que houve um reaparelhamento e ampliação da capacidade econômica do estado e que o crescimento da atividade industrial em Pernambuco valida a expansão da atividade manufatureira”, salientou o diretor do BC. Ele citou ainda o percentual de 109% de aumento na importação de bens de capital, variação analisada entre 2007 e 2008, contra meros 6,6% da região e 45% do Brasil, um “crescimento expressivo”, e o índice de criação de emprego formal, com ênfase nas vagas direcionadas à Região Metropolitana do Recife (51% entre 2000 e 2003; 69% em 2007 e possivelmente 72% em 2008).

 

Fonte: Diário de Pernambuco

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