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Equipe econômica em divergência

5 de agosto de 2017

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que existem expectativas de recuperação de receita no segundo semestre e que, nesse caso, não haveria necessidade de alterar a meta fiscal. Em contrapartida, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, declarou que o governo vai avaliar nas próximas semanas a mudança ou não da meta fiscal, que prevê déficit primário de R$ 139 bilhões este ano. "Temos tido uma frustração continuada de receitas", disse.

Já Meirelles voltou a dizer que o compromisso é a meta de déficit primário já traçada e que, no momento, não estuda elevação de tributos.

Ele ponderou, no entanto, que novas elevações de impostos que tragam resultado ainda neste ano esbarram numa questão de tempo. "Começamos a ter um problema de tempo para que qualquer aumento possa fazer efeito neste ano, inclusive porque alguns tipos de tributos só podem incidir depois de 90 dias", afirmou.

Do lado das despesas, lembrou que as discricionárias (não obrigatórias) voltaram ao nível de 2010, descontada a inflação.

Na avaliação de Dyogo Oliveira, apesar de a economia brasileira estar em um momento de recuperação plena, a conjuntura ainda é insuficiente para aliviar as dificuldades do governo federal em cumprir a meta fiscal do ano, pois o crescimento está concentrado em setores que têm menos peso na arrecadação de impostos. "O crescimento está voltando, e todos os indicadores apontam para isso", afirmou. "A má notícia é que esse cenário não ajuda a meta fiscal. As dificuldades no fiscal vão continuar apesar da retomada do crescimento".

Ele lembrou que o Produto Interno Bruto (PIB) foi positivo no começo do ano e deve ter um desempenho "próximo de neutro" no segundo trimestre. Ele ressaltou o movimento de redução consistente da inflação e da taxa de juros, o crescimento da massa salarial com alta real nos dissídios dos trabalhadores e a retração do nível de desemprego de 14% para 13%.

Mesmo com essas melhoras, Oliveira frisou que o equilíbrio das contas públicas depende da reforma da Previdência para controlar o rombo nesse setor. "O déficit da Previdência está elevado e deve subir para R$ 202 bilhões em 2018", apontou.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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