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Equipe econômica de Temer em divergência

13 de outubro de 2017

O resultado melhor que o esperado com as receitas extraordinárias de setembro dividiram a equipe econômica do governo. Enquanto o Ministério do Planejamento quer usar esses recursos para descongelar gastos, a Fazenda prefere segurá-los para fechar o ano com um déficit menor do que os R$ 159 bilhões. Hoje, o governo conta com cerca de R$ 8 bilhões a mais do que o previsto.

Quase metade desses recursos (R$ 3,9 bilhões) foi resultado do ágio dos leilões das usinas da Cemig e dos blocos de petróleo. A equipe econômica esperava arrecadar R$ 11 bilhões com a venda de quatro hidrelétricas da estatal mineira e faturou R$ 12,1 bilhões.

Com o leilão dos campos de petróleo, o ganho foi maior. A União previa arrecadar R$ 1 bilhão e recebeu R$ 3,8 bilhões.

Fazenda e Planejamento ainda precisam se entender para a liberação de R$ 4 bilhões em precatórios “presos” na Caixa e no Banco do Brasil. Precatórios são recursos de sentenças judiciais depositados em bancos estatais.

Um projeto de lei aprovado recentemente permite que o governo use automaticamente o dinheiro não sacado há mais de dois anos. No entanto, os bancos públicos apresentaram pendências jurídicas que barram essa liberação. Planejamento e Fazenda teriam de baixar uma portaria para resolver o problema, mas ainda não chegaram a um acordo.

DIVERGÊNCIA 
No mês passado, a equipe econômica liberou R$ 12,8 bilhões que estavam congelados devido a restrições orçamentárias. No entanto, R$ 32,2 bilhões em despesas previstas pelos ministérios e pela administração direta continuam represados.

Dirigentes de sociedades científicas já foram ao presidente Michel Temer para informar que pesquisas importantes para o País serão paralisadas. Somente neste ano, há um buraco de R$ 1,3 bilhão no orçamento do Ministério de Ciência e Tecnologia. No próximo ano, essa diferença passará para R$ 2,5 bilhões.

PIB 2018 
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ressaltou que a estimativa do governo para o crescimento do PIB em 2018 é de 2%, com viés de alta e pode “até chegar a 3%”, disse. “O nosso cenário base que ainda está no Orçamento é um crescimento de 2% em 2018, mas já existem diversos analistas e economistas com previsões de crescimento maiores, até de 3% ou mais no ano que vem”, disse o ministro. “Eu chamaria de um cenário otimista, mas é um cenário possível”.

O ministro ressaltou que apesar de a economia global estar em processo de recuperação, há riscos “baixos” de bolhas financeiras globais, que podem dificultar a concretização de um crescimento mais acelerado do PIB no médio prazo.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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