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Enquadrando infiéis para garantir reformas

2 de maio de 2017

O governo de Michel Temer inicia a semana decisiva para seu futuro enquadrando infiéis para tentar uma tramitação mais calma das reformas no Congresso. Pelas redes sociais, Temer defendeu, ontem, a necessidade das reformas trabalhistas e previdenciária, durante vídeo que celebrou o 1º de Maio. Hoje, acertado com os aliados, o Diário Oficial da União trará a perda de cargos dos deputados que não votaram alinhados ao Planalto no projeto que alterava pontos da CLT. “A atitude do governo de consolidar a base está correta. Não adianta pensar que temos uma margem ampla. Precisamos trabalhar com a segurança de 320 a 350 votos assegurados”, defendeu o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB).

A previsão é que o debate sobre matéria seja concluída hoje na comissão especial e a votação iniciada amanhã. O encaminhamento para o plenário é que segue uma incógnita. Depois do almoço com os governadores, na semana passada, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sugeriu que a reforma poderia ser analisada pelo conjunto da Casa a partir de 8 de maio. Na semana passada, em conversa com o Correio Braziliense/Diario, o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), considerou mais prudente uma ampliação nas conversas para garantir a aprovação. Efraim concorda. “Mais do que o tempo em que vamos demorar, é importante definir um texto que dê segurança para a base apoiar”, completou o parlamentar demista.

Analistas do mercado acompanham com atenção os próximos dias. “Se, porventura, a reforma da Previdência não for aprovada, o país terá que rever todo seu planejamento de curto e médio prazos”, afirmou o analista político da XP Investimentos Richard Back. Ele lembra que existe todo um estoque de recursos estrangeiros prontos para aportar no país, caso as reformas sejam aprovadas. Isso porque, em todo o mundo, o cenário é de juros negativos, à exceção do Brasil. “Se os investimentos não vierem, o governo terá de emitir moeda para equilibrar a dívida, a inflação volta e os juros retomam trajetória de aumento. Paradoxalmente, sem a reforma da Previdência, quem perde são os mais pobres e os trabalhadores. Não o contrário”, resumiu.

A Previdência também poderá dar ao governo a tranquilidade para seguir em frente até o fim do mandato. Dificilmente Temer vai conseguir melhorar sua popularidade, aferida ontem no Datafolha em míseros 9% de aprovação. Mas precisará provar aos investidores internacionais que o país é confiável para quem deseja apostar por aqui. (Do Correio Braziliense)

Seis trabalhos
O que o presidente Temer precisa fazer para chegar inteiro ao final do mandato

Reforma da Previdência
Temer precisa aprovar as mudanças nas regras de aposentadoria. O texto ainda não foi aprovado sequer na Comissão Especial da Câmara. Precisa de 308 votos no plenário da Câmara, em dois turnos, e outros 49 votos, também em dois turnos no Senado

Reforma trabalhista
Projeto já foi aprovado na Câmara, precisa agora ser analisado pelo Senado. Por ser um projeto comum, basta maioria simples. Mas, tanto entre os deputados quanto entre os senadores, essa votação servirá de parâmetro para medir a fidelidade dos partidos aliados

Reforma tributária
O Executivo estimulará o debate, mas deixou para o Congresso o debate em torno da simplificação dos impostos no país. Na Câmara, o trabalho de sistematização está a cargo do deputado Luiz Haully

Reforma política
Apesar de o presidente Temer defender abertamente o modelo do distritão, o Planalto não vai se meter nessa guerra em tempos de Lava-Jato. O debate envolve lista fechada, financiamento público de campanha, cláusula de barreira e fim das coligações proporcionais

Mudanças no financiamento
A mudança já foi aprovada, mas só entrará em vigor no ano que vem, com a implantação efetiva da TLP, uma taxa de juros atrelada ao custo país. Quanto melhor a percepção do mercado com relação à política econômica, solvência e solidez das contas públicas, mais barato será o financiamento

Desburocratização
No segundo semestre equipe econômica promete implantar medidas para diminuir a burocracia no país.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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