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Energia afeta indústria do NE

25 de abril de 2014

Enquanto o país ainda discute a possibilidade de um novo racionamento de energia, algumas indústrias que são consumidoras do mercado livre já vivem essa realidade no Nordeste. O problema foi discutido ontem no seminário Mercado de energia elétrica – Desafios e oportunidades para a indústria, realizado ontem na Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe). De acordo com os especialistas que participaram do evento, o problema foi causado pela medida provisória que antecipou a renovação das concessões das geradoras e agora agravado pela queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas. Sem energia, há indústrias em risco de encerrar as atividades e que já estão dando férias coletivas aos seus funcionários. 

Segundo Conceição Cavalcanti, diretora da C&T Assessoria e Gestão de Energia, após a renovação das concessões, no final de 2012, o mercado livre nordestino ficou sem a sobra de energia gerada pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Para compensar o volume de energia das geradoras que não aceitaram as condições do governo para antecipar a renovação, toda a geração da Chesf precisou ser direcionada para o mercado cativo – aquele que é atendido diretamente pelas concessionárias, como a Celpe.

José Rosenblatt, diretor da consultoria PSR, lembra que a cota das geradoras estatais com a concessão renovada não foi suficiente para atender à demanda das distribuidoras. “E até elas tiveram que ir no mercado de curto prazo para cobrir esse déficit, colaborando para secar ainda mais o mercado livre.” “Dessa maneira, muitas indústrias que saíram do mercado cativo não estão conseguindo comprar energia elétrica e estão em uma situação muito difícil”, comenta Conceição Cavalcanti. Junte-se a isso o encarecimento da energia no mercado de curto prazo, devido à escassez de energia provocada pela baixa no nível dos reservatórios  das hidrelétricas.

Segundo Conceição, o problema atingiu muitas fábricas do setor têxtil. “Mas há também muitas eletrointensivas que estão ficando descontratadas.Tem empresa, inclusive, dando férias coletivas porque não tem energia para funcionar.” O consumidor livre possível solicitar a reintegração ao mercado cativo, mas por lei a distribuidora tem até cinco anos para atender ao pedido.

Fonte: Diario de Pernambuco

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