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Empresa fatura menos com fraude, diz pesquisa

14 de maio de 2006

 

As fraudes já envolvem valores que correspondem a 1% do faturamento de 88% das empresas que participaram de uma pesquisa feita pela consultoria Ernst & Young, na qual foram entrevistados executivos de 151 companhias instaladas no Brasil. “Com as baixas margens de lucro existentes hoje, esse percentual é muito alto”, contou a diretora executiva da área de negócios de risco da Ernst & Young, Cristiane Amaral. O estudo também revelou que 72% das empresas já implantaram alguma medida para detectar a ocorrência de fraudes.

O roubo foi apontado como a fraude mais comum por 65% dos entrevistados, seguidos pela corrupção que foi apontada por 13% e a fraude contábil por 12%. “Essa última é mais elaborada, porque ocorre somente nas companhias abertas, mas a tendência é isso aumentar no Brasil, pois muitas empresas brasileiras estão abrindo o capital”, explicou o sócio da área de investimentos da Ernst & Young, José Francisco Compagno. A fraude contábil é a mais comum nos Estados Unidos.

Para 6% das empresas, as fraudes detectadas foram feitas de forma eletrônica, envolvendo a internet ou sistemas internos de comunicação. Já 4% das companhias identificaram as fraudes nos seus seguros.

A melhor forma de combater as fraudes, segundo os dois consultores, é implantar um gerenciamento de risco que detecte as irregularidades que estão acontecendo. “Os fatores que mais geram a incidência de fraudes são a falta de prevenção, a inexistência de mecanismos que identifiquem que ela está ocorrendo e também a falta de um meio eficiente para apurar os fatos que envolvem a sua execução”,contou Compagno.

O consultor defende que os mecanismos de identificação de fraudes envolvem três tipos de processo: o preventivo, a identificação e a investigação. “O importante é ter um conjunto de ferramentas que atuem nesses três fatores”, falou.

As entrevistas da pesquisa foram feitas por um instituto de pesquisa, independente da Ernst & Young. “Os executivos poderiam se sentir constrangidos em fornecer esses dados para uma empresa de auditoria”, argumentou Compagno. Cerca de 60% dos entrevistados ocupavam o cargo de diretoria ou acima desse nível.

Entre as empresas que participaram da pesquisa, 45% têm um faturamento de até R$ 250 milhões por ano, 29% um faturamento que vai de R$ 251 milhões a R$ 1 bilhão e 26% acima de R$ 1 bilhão. Todos os números se referem à receitas anuais.

CONCENTRAÇÃO – O estudo da Ernst & Young mostra que quase 60% das fraudes detectadas pelas empresas se concentram na área financeiro-administrativa e comercial. Na primeira, 39% das companhias já detectaram fraudes, enquanto o segundo setor respondeu por 19% das fraudes identificadas nessas empresas.

INEFICIÊNCIA – Os consultores também afirmaram que grande parte das empresas brasileiras possuem um canal de denúncia (que pode ser um 0800), mas isso não é operacionalizado da maneira correta. “Falta um tratamento e encaminhamentos adequados das denúncias recebidas nesses canais”, disse Amaral.

Os consultores aconselham as empresas a adotarem um plano de contingência, que é um planejamento de como lidar com as fraudes. “Esse plano define quem será o responsável pela investigação, como vão ser isoladas as evidências da fraude, o que vai ser feito com o funcionário sob suspeita, como planejar a investigação e como levantar e proteger os dados da companhia”, concluiu Compagno.

Fonte: Jornal do Commercio

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