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Empregados se dizem maltratados pelos chefes
23 de setembro de 2008Na última visita do presidente Luis Inácio Lula da Silva ao Estado, no começo do mês, cerca de quatro mil pessoas ouviram emocionadas as palavras de Mércia Severo do Nascimento, no corte simbólico da primeira chapa de aço do Estaleiro Atlântico Sul. “Esse é o meu primeiro emprego. Antes eu era uma dona de casa, agora sou metalúrgica-soldadora do Estaleiro Atlântico Sul, que vai construir grandes navios. O presidente Lula sabe o que isso significa. Me sinto honrada em fazer parte disso, em saber que cada um desses navios terá um pedacinho de mim”, discursou, arrancando lágrimas até do presidente da empresa, Paulo Haddad. Hoje, dificilmente seja esse o sentimento dos trabalhadores da empresa.
Além dos problemas salariais, vários empregados denunciaram sofrer assédio moral de supervisores e chefes. Há, inclusive, denúncias de preconceito. O deputado federal Fernando Ferro (PT) esteve ontem em Suape e ouviu de diversos trabalhadores histórias de truculência e maus-tratos. Os relatos foram tantos, que o parlamentar vai encaminhar hoje uma denúncia ao Ministério do Trabalho em Brasília. “Há muita indignação, os funcionários são discriminados. É uma empresa que trabalha com tecnologia de primeiro mundo, mas mantém uma relação medieval”, resumiu.
A situação mais séria é a da cozinha do estaleiro. Há dois meses, após ingerirem um café-da-manhã, 21 funcionários foram encaminhados ao ambulatório com problemas gastrointestinais. Demitida na última sexta-feira, Márcia Dutra da Silva, de 39 anos, elenca as doenças que contraiu desde que começou a trabalhar na empresa: H.pylori (bactéria que ataca o estômago e que é transmitida por alimentos mal-lavados), gastrite, duodenite e taxas de colesterol alteradas.
Ainda segundo trabalhadores, durante o inverno, era necessário abrir guardas-chuvas dentro dos ônibus que os levam até a Ilha de Tatuoca, tais eram as condições dos veículos. Ontem, foi formalizada junto a Coordenadoria Regional de Inspeção do Trabalho Portuário e Aquaviário (Coritpa), uma denúncia a respeito desses problemas, segundo confirmou o coordenador Paulo Roberto de Oliveira.
No que tange à questão do desvio de função, funcionários afirmaram terem que lavar banheiros durante meses, quando na carteira profissional exibiam o cargo de ajudantes industriais. “Um soldador não pode realizar o serviço de limpeza”, afirmou o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Pernambuco, Aluísio Aldo da Silva Júnior, que também recebeu essa denúncia e que mediará a negociação hoje.
Os problemas do estaleiro não estão isolados. Os funcionários das obras de terraplenagem da Refinaria Abreu e Lima também cruzaram os braços em janeiro deste ano, reivindicando, além de aumento salarial e pagamento de horas extras, um melhor tratamento.
Fonte: Jornal do Commercio
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