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Emendas de bancada deixam de financiar projetos estratégicos com saúde concentrando maior volume de verbas em Pernambuco
1 de janeiro de 2026Agora que 2026 começou oficialmente, cabem dois minutos de conversa sobre como nos últimos anos, o instrumento das emendas de bancadas, aqueles que costumavam reunir maior volume de recursos para projetos estratégicos e normalmente atendendo a pedido dos governadores, vem sendo pulverizado em ações de pequeno volume, deixando de ser importante para as gestões do executivo estadual de Pernambuco.
Não era assim. Até o governo Jarbas Vasconcelos, por exemplo, o instrumento das emendas de bancada era considerado um recurso imprescindível, tendo sido responsável por projetos importantes. Todos os anos o governador costumava se reunir com os deputados e senadores e apresentar o pedido de um volume maior de recursos via emendas da bancada.
Estruturadoras
Foi essa atitude que, entre outras obras, garantiu a duplicação da PE-60 e obras no Porto de Suape por reunirem numa única rubrica um grande volume de verbas federais.
Entretanto, quando se observa como elas vêm sendo distribuídas a partir de 2021 – quando começa a crescer o volume de recursos de verbas para os deputados e senadores com o chamado orçamento secreto – fica claro que, além de ficarem menores, elas estão cada vez mais pulverizadas.
Valores em queda
Em 2025, o total de emendas de bancada foi de R$381,38 milhões. E o menor volume até 2025 havia acontecido no ano de 2022, quando a bancada de 25 deputados e três senadores destinou apenas R$ 173,49 milhões. Em 2026, a bancada pernambucana destinou R$ 415,75 milhões.
Porém, o que chama a atenção ao se observar para o que a nossa bancada destinou esses quase R$420 milhões é o tamanho da destinação perversa de recursos. A requalificação do Hospital da Restauração, por exemplo, receberá R$ 9,92 milhões; a Reforma e Reaparelhamento do Aeroporto de Caruaru terá minguados R$ 7,0 milhões.
Escola de sargentos
Por sua vez, a Reforma e Requalificação do Teatro da UFPE receberá R$ 4,35 milhões, enquanto a estratégica implantação da Nova Escola de Formação de Graduação de Sargentos do Exército será agraciada com apenas R$ 5,25 milhões, bem menos que a Construção do Hospital Regional de Belo Jardim, que terá R$ 7,00 milhões.
Se os volumes são ínfimos mesmo para projetos importantes, chama a atenção é que, mesmo tendo orçamento próprio, a Codevasf terá 55,45 milhões e o DNOCS R$ 13,26 milhões.
Foco na Codevasf
O caso da Codevasf é bem interessante, pois Pernambuco se junta a outros estados que destinam verbas à autarquia que está no olho das investigações sobre desvios de emendas parlamentares individuais, especialmente porque, mesmo sendo um órgão criado para obras estruturais, ela se transformou na maior contratante de obras de asfaltamento nos municípios.
Mas o grande volume de verbas das emendas da bancada de Pernambuco está destinado ao Incremento ao Custeio dos Serviços de Atenção Primária à Saúde (com R$ 170,00 milhões) e ao incremento Temporário ao Custeio dos Serviços de Assistência Hospitalar e Ambulatorial com R$ 120,62 milhões.
Emendas próprias
Ou seja, o grande volume de dinheiro das emendas de bancada de Pernambuco será quase todo destinado ao custeio, ficando com R$ 290 milhões, enquanto os demais projetos não chegam a R$ 50 milhões (R$ 49,63).
Isso não quer dizer que a destinação de verbas para o setor de saúde não seja importante. Afinal, todo dinheiro que se possa aplicar na área com verbas federais é importante. Porém, o que chama a atenção é como o instrumento da emenda de bancada deixou de ser importante.
Ceará e Bahia
Quando se compara como atuam bancadas de estados como o Ceará, atuam na gestão das emendas de bancada, pode-se saber que os cearenses destinarão R$ 1,315,75 bilhão para projetos estratégicos como dinheiro para Desenvolvimento de Políticas de Segurança Pública, Prevenção e Enfrentamento à Criminalidade, R$ 104 milhões. Entretanto, eles também destinaram R$676,23 milhões para a área de saúde.
Comportamento semelhante é observado na Bahia, cujas emendas de bancada somaram R$1,075,75 bilhão e também destinaram verbas robustas (R$115,50 milhões) às Políticas de Segurança Pública, Prevenção e Enfrentamento à Criminalidade. Outro projeto dos baianos é que destinaram R$ 133,45 milhões à promoção e ao marketing do turismo da Bahia no mercado nacional.
Verba de turismo
Em resumo, tomando apenas o total de verbas que Bahia e Ceará destinam a emendas de bancada, o que se observa é que entre os três maiores estados nordestinos Pernambuco é o que menos têm destinados recursos para projetos estratégicos.
O comportamento talvez possa ser explicado pelo fato de que depois do movimento do orçamento secreto que turbinou a destinação de emendas para os deputados individualmente. Afinal, em 2026 cada um dos deputados e senadores vai receber R$ 40,25 milhões para destinar às suas bases.
Interesse próprio
Na prática, isso quer dizer que cada deputado ou senador de Pernambuco terá muito mais recursos para decidir onde aplicar os projetos relacionados às emendas de bancada.
Mas não deixa de ser intrigante como Pernambuco não vem usando esse instrumento para destinar recursos no próprio OGU para projetos importantes.
O caso da Nova Escola de Formação de Graduação de Sargentos do Exército é emblemático. Ela tem previsão de se tornar um projeto de mais de R$1 bilhão até 2030, estando entre as obras prioritárias do Exército, mas vai precisar de verbas para seu entorno e vias de acesso que até agora têm sido bancados pelo governo do estado.
Segurança
Outra característica da ação da bancada de Pernambuco é a ausência de verbas para ações de Prevenção e Enfrentamento à Criminalidade como ocorreu na Bahia e no Ceará que destinaram mais de R$200 milhões para esse fim. Ou no caso do setor de turismo, área para a qual outros estados do Nordeste têm destinado recursos para ações de promoção.
Entretanto, é importante observar que tanto na Bahia como no Ceará, na Paraíba e no Piauí a destinação de maiores volumes dos recursos das emendas de bancada acontece depois de ações dos governadores com os deputados e senadores. O que não se sabe se aconteceu com Pernambuco.
Fonte: Jornal do Commercio
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