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Em 2 anos, 2,8 milhões de empregos perdidos
25 de fevereiro de 2017Desde o início da crise, já foram perdidos quase três milhões de postos de trabalho no país. A população empregada encolheu em 2,8 milhões de pessoas em janeiro de 2017 em relação a dois anos antes, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Dá praticamente metade da população (da cidade) do Rio de Janeiro”, comparou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. O montante de vagas perdidas equivale a uma retração de 3% na população ocupada.
A taxa de desocupação praticamente dobrou em dois anos, saltando de 6,8% no trimestre encerrado em janeiro de 2015 para 12,6% em janeiro de 2017, observou Azeredo. A população desocupada cresceu 91% no período, o equivalente a 6,158 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga.
“Para cada pessoa que perde o trabalho, ela acaba levando mais uma ou duas pessoas para a fila da desocupação com ela. O marido que fica desempregado acaba levando a esposa e o filho que está em idade de trabalhar para procurar emprego também”, disse Azeredo.
Segundo ele, a Pnad Contínua até agora não apresenta nenhum sinal de que o país esteja próximo do fim desse período de crise e recessão. “A força de trabalho brasileira está crescendo pela desocupação, não pela ocupação. Em momentos de recessão é normal isso acontecer.” De açodo com Azeredo, a taxa de desemprego aumentou no trimestre encerrado em janeiro ante o trimestre imediatamente anterior porque há mais gente em busca de uma vaga.
A taxa de desemprego cresceu de 11,8% no trimestre encerrado em outubro de 2016 para 12,6% no trimestre terminado em janeiro deste ano. No período, a população ocupada ficou estatisticamente estável, com um corte de 29 mil vagas. Já a população desocupada cresceu 7,3%, com 879 mil pessoas a mais em busca de trabalho. “A população ocupada ficou estável, o que aumentou foi a procura por uma vaga. A pessoa começa a procurar trabalho porque acha que vai conseguir”, observou Azeredo.
Entre as atividades, entretanto, a indústria demitiu 254 mil empregados, enquanto os serviços domésticos encolheram em 89 mil trabalhadores. "O ponto mais negativo da divulgação é a queda na indústria, porque ela não contrata temporários”, avaliou o pesquisador. Também houve perda de vagas com carteira assinada no período, 183 mil postos formais a menos.
Renda
A renda média dos trabalhadores ficou praticamente estável no trimestre encerrado em janeiro, em relação a um ano antes. O movimento ocorre porque, embora tenha havido demissão em massa de trabalhadores com salários mais baixos, a média salarial não sobe porque tem descontada a inflação do período, explicou Cimar Azeredo. “Tem demissão no chão de fábrica e na construção. Você tirou do mercado uma parcela considerável de pessoas com rendimento baixo. O rendimento médio poderia até subir, mas ele não sobe por conta da inflação”, justificou Azeredo.
A indústria dispensou 897 mil trabalhadores no período de um ano enquanto a construção demitiu outros 755 mil empregados. O rendimento médio real saiu de R$ 2.047 em janeiro de 2016 para R$ 2.056 em janeiro de 2017, segundo os dados da Pnad Contínua.
“A demissão na indústria é um dado preocupante. Indústria, construção e agricultura têm queda expressiva na ocupação”, avaliou o coordenador do IBGE. Na agricultura, a população ocupada encolheu em 434 mil pessoas em relação a janeiro de 2016.
A renda domiciliar per capita nominal mensal ficou em R$ 1.226,00 no País em 2016. A renda domiciliar per capita mais alta foi registrada no Distrito Federal, de R$ 2.351,00, enquanto a mais baixa era a do Maranhão, R$ 575,00, seguido por Alagoas, R$ 662,00. Em São Paulo, a renda per capita nominal alcançou R$ 1.723,00 em 2016. No RJ, o rendimento ficou em R$ 1.429,00, e em Minas Gerais, foi de R$ 1.168,00.
Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco
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