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Economia volta ao patamar de 1988
24 de março de 2016A economia pernambucana encolheu 3,5% em 2015 comparada a 2014. Foi a maior queda desde 1988, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do estado ficou 4,5% menor. O resultado demonstra a contaminação da crise econômica e política do país em cima da atividade econômica dos estados. Com exceção da agropecuária, que cresceu 2,1%, as demais atividades econômicas recuaram o ano passado, com destaque para a retração de 8% da indústria, puxada pelo desempenho negativo de 11,6% da construção civil. Principal motor da economia local, o setor de serviços teve queda de 6%, com destaque para a redução de 12,4% das vendas do comércio. A soma de todas as riquezas produzidas em Pernambuco foi estimada pela Agência Condepe-Fidem em R$ 155,4 bilhões.
O desempenho negativo do PIB estadual interrompe a trajetória ascendente da economia de Pernambuco, turbinada pelos investimentos estruturadoras contabilizados nos últimos anos, com a chegada das novas indústrias (naval, petroquímica, petróleo) no Complexo Industrial Portuário de Suape. “O resultado aponta para o que já estávamos sentindo. A crise política e a estagnação econômica do país afetaram a economia, mas Pernambuco conseguiu manter um resultado melhor do que o Brasil”, avalia Flávio Figueiredo, presidente da Agência Condepe-Fidem. O PIB do Brasil recuou 3,8% em 2015.
Desde o segundo trimestre de 2015, o PIB estadual passou a encolher, atingindo o pior resultado no quarto trimestre do ano, com retração de 6,3%. Segundo o diretor-executivo de estudos e pesquisas estatísticas da Agência Condepe-Fidem, Maurílio Lima, é o pior resultado contabilizado desde 1988, quando a atividade econômica apresentou queda acentuada de 4,5%. Desde 1990 (-2,5%), o resultado do PIB não apresentava resultado negativo. “As perspectivas é que continue em queda neste ano, se aproximando do Brasil.”
Mesmo com o revés provocado pela recessão da economia brasileira, Lima destaca a nova composição do PIB estadual, com a crescente industrialização dos últimos oito anos e a diminuição da dependência da indústria do açúcar e do álcool. Segundo ele, a expectativa é que a atividade econômica dos novos polos econômicos (automotivo, vidreiro, farmacoquímico) de Goiana sejam agregados e contabilizados ao PIB pernambucano a partir de 2017.
O economista da Datamétrica Consultoria, Alexandre Jatobá, avalia que Pernambuco foi duplamente afetado pela crise econômica. Ele cita os efeitos nocivos da recessão e o encolhimento dos investimentos dos setores atingidos pela crise da Petrobras, entre eles a Refinaria Abreu e Lima e os estaleiros de Suape. “Pernambuco se beneficiou por receber esses investimentos nos últimos anos e agora é duplamente prejudicado com o encolhimento desses setores.”
Jatobá destaca que é preocupante a desaceleração contínua da economia pernambucana nos últimos trimestres, o que indica a tendência de queda da atividade econômica nos próximos meses. “Pelo movimento, a tendência é que o PIB de Pernambuco fique em linha com o Brasil ou um pouco abaixo neste ano.”
Fonte: Diario de Pernambuco
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