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É possível reduzir mordida do IR

17 de setembro de 2009

O grande poupador brasileiro tem algumas opções para minimizar a mordida do Fisco sobre os rendimentos de poupanças com saldo acima de R$ 50 mil, caso o projeto anunciado na última terça-feira pelo governo federal seja aprovado no Congresso. Para o de perfil conservador há como “dividir” o Cadastro de Pessoa Física (CPF). A tributação incide no CPF do cidadão, independentemente dele ter mais de uma poupança em bancos diferentes, por isso é possível repartir o dinheiro para cadernetas de outras pessoas da família, de maneira que cada um fique com menos de R$ 50 mil e portanto isentos.

Se isso “dribla” a taxação mensal, representa um aumento no cuidado na hora da Declaração do Imposto de Renda de 2011, que leva em conta os ganhos e despesas do contribuinte no ano de 2010. Isso porque o dinheiro na poupança de um dependente deverá ser declarado. Caberá então ao contribuinte encontrar meios de deduzir essa taxação, incluindo um segundo filho que antes era dependente do marido ou esposa na sua declaração ou concentrando as deduções com gastos de saúde da família na declaração.

O problema é que para traçar esse planejamento será preciso aguardar o anúncio pela Receita Federal do Brasil de como deverá ser feita a compensação do imposto retido na fonte dos rendimentos da poupança na declaração de ajuste. Só assim o contribuinte poderá ir para a ponta do lápis e calcular como irá repartir seu “pé de meia”. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, essa compensação só será delineada quando o projeto for aprovado.

Uma outra opção, para quem quer diversificar os investimentos, é aplicar valores acima dos R$ 50 mil em um fundo de renda fixa. O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, explica que quem tem R$ 70 mil, por exemplo, pode pegar os R$ 20 mil cujos rendimentos seriam taxados e investi-los em um fundo com taxa de administração de até 1% e com prazo de resgate de dois anos. Ainda que tributado, o percentual da mordida seria de 15% sobre o que a aplicação render, e não de 22,5%, conforme consta no plano do governo federal.

Além disso, o rendimento anual seria de quase 10% a partir de janeiro. A poupança renderá 7,5% em 2009 e há estimativas de que chegue a 8% em 2010, a depender da variação na taxa Selic, que hoje é de 8,75%, mas que, segundo analistas, deverá voltar a subir com o reerguimento da economia no ambiente de pós-crise.

Os investimentos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) também se configuram boa alternativa. Mas é vantajosa apenas para quem tem aplicações bem maiores, perto dos R$ 100 mil. Para esses, aconselha Vertamatti, a opção por um prazo de dois anos também é a mais indicada, pois a taxação é a mesma dos fundos de renda fixa para esse período de tempo (15%).

Fonte: Jornal do Commercio

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