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Dois pesos e duas medidas

23 de março de 2010

Diario Político 

Marisa Gibson


Estão em pé de guerra os funcionários administrativos das secretarias, inclusive da Fazenda, que, pela proposta enviada pelo governo para a Assembleia Legislativa, vão receber aumentos salariais de até R$ 20,00 no mês de junho, enquanto os auditores da Fazenda terão os salários reajustados de R$ 18.000,00 para R$ 22.406,00 a partir de abril. Esses funcionários prometem se vestir de preto hoje, quando o projeto começa a tramitar na Assembleia, mas é tempo perdido. Eles, mesmo sendo maioria, não chegam nem aos pés dos auditores fiscais em termos de poder de pressão. Na verdade, o grande ganho dos auditores fiscais foi conseguir a paridade salarial dos auditores aposentados com os da ativa, que, segundo o Sindifisco, constava de um acordo feito por Eduardo Campos com a categoria. Essa paridade quer dizer que os auditores aposentados vão ter direito a todas as gratificações dos da ativa, inclusive a de produtividade. Nada pode ser melhor do que isso. A força dos auditores reside na arrecadação. Quando anunciam que vão fazer greve, os auditores estão avisando que farão o possível para a arrecadação cair. E é sintomático que eles tenham conseguido o que queriam justo num ano eleitoral, devendo-se lembrar também que os auditores fecharam apoio a Eduardo durante a campanha eleitoral de 2006. Esses trunfos, os demais servidores não têm, nem mesmo os professores que estão na mira do PT. Na sexta-feira passada, o presidente estadual do PT, Jorge Perez, divulgou nota condenando o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco, que em assembleia decidiu declarar o governador Eduardo Campos “inimigo da educação”. A campanha salarial dos professores é sempre tensa e, em anos anteriores, o Palácio das Princesas chegou a insinuar que o PT de Humberto Costa estava perdendo o controle do sindicato e, naquelas ocasiões, o PT não se manifestou. Agora, também é sintomático que o PT divulgue nota em solidariedade ao governador, justo num ano eleitoral quando Humberto é aspirante a uma das vagas do Senado na chapa de Eduardo. Pois é, o PT está se esmerando. No ano passado, para possibilitar aos auditores fiscais ganhassem mais que o governador, o líder do governo, Isaltino Nascimento (PT) apresentou, a mando do Palácio, projeto de lei para favorecer a categoria. Foi uma polêmica grande. Agora, os auditores conseguiram tudo.

Fonte: Diário de Pernambuco

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