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Dívida pública atinge R$ 2,1 tri

30 de janeiro de 2014

O Brasil bateu um novo recorde em 2013. Em dezembro, a dívida pública negociada no mercado financeiro atingiu o maior valor da história: R$ 2,122 trilhões. Se os brasileiros se cotizassem para pagar esse débito, o esforço feito por cada contribuinte, seja ele criança, desempregado ou aposentado, seria de, no mínimo, R$ 10,6 mil. Isso, claro, se a despesa fosse paga à vista. Porque, a julgar pela disposição do governo em aumentar esse passivo, em alguns anos a conta pode ficar praticamente impagável. Apenas no ano passado, a dívida mobiliária engordou 5,7%, ou R$ 114,8 bilhões. Isso em um ano em que a União abocanhou R$ 1,1 trilhão em impostos e dividendos, a maior arrecadação da história.

O governo recorre ao mercado financeiro sempre que as contas do mês fecham no vermelho. Para não ter que paralisar a máquina pública e interromper os programas sociais, a União emite títulos da dívida pública. Em 2014, a previsão é que o país levante junto a investidores R$ 476,6 bilhões. O problema é que o momento para recorrer a esse expediente é o pior possível. “Aquela fase de grande liquidez nos mercados, em que havia muito dinheiro para emprestar e tomar emprestado, acabou”, disse Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O mundo vive momentos de turbulência, ocasionados, sobretudo, por dois fatores. O primeiro é a retirada gradual dos estímulos à maior economia do mundo, os Estados Unidos. Ontem, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) anunciou que vai reduzir em mais US$ 10 bilhões o seu pacote mensal de compras de ativos, para US$ 65 bilhões. Com menos dinheiro circulando nos EUA, a tendência é que as taxas de juros naquele país aumentem. Para lucrar com os prêmios maiores, os investidores tendem a se desfazer de suas aplicações em países como o Brasil.

O segundo fator de preocupação para o governo é crise que atinge nações emergentes. Nesta semana, os bancos centrais de Turquia e Índia anunciaram a elevação nos juros básicos de suas economias para atrair investidores. O movimento deve ser acompanhado pelo BC brasileiro. As apostas do mercado financeiro são de que a autoridade monetária promova mais uma elevação da taxa Selic, a oitava consecutiva, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para o fim de fevereiro. “A definição da taxa de curto prazo (Selic) tem um impacto relevante no preço (dos títulos negociados pelo governo”, disse ontem o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Fonte: Diario de Pernambuco

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