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Dívida e juros, o maior problema do Brasil
22 de outubro de 2014A presidente para o Cone Sul da Standard and Poor?s (S&P), Regina Nunes, afirmou ontem que o grande problema do País não é a questão internacional, mas sim a doméstica, especialmente o aumento da dívida pública e os juros altos.
"O Brasil voltou a ter uma dinâmica de dívida crescente", comentou. "E esse crescente endividamento indica uma situação frágil. É preciso alongar o vencimento da dívida pública." A executiva da agência de classificação de risco fez os comentários depois de participar de evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri).
Segundo Regina Nunes, "é difícil o Brasil voltar a ser BBB sem melhora real da dinâmica da dívida pública." A nota soberana do País é BBB-, com perspectiva estável.
Ela acredita que as equipes econômicas dos dois candidatos ao Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB), estão cientes de que a gestão da política econômica vai atuar com o foco em buscar a estabilidade da dívida pública em relação ao PIB, fazer a inflação convergir à meta de 4,5% e elevar o patamar de crescimento do País.
"Com tudo isso, é possível ver que os investimentos de longo prazo vão avançar", destacou Regina. "É necessário atuar para a expansão dos projetos de infraestrutura em diversas áreas, como portos, aeroportos, rodovias e energia."
Indagada pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, se a perspectiva do País poderia se tornar positiva, caso essas condições favoráveis sejam registradas ao final de 2015, ela afirmou que sim. "Pode. Isso pode ocorrer em quatro ou cinco meses, não há um prazo definido. Mas é difícil", apontou.
Regina Nunes destacou que, independentemente de quem for o candidato vitorioso, o que será observado são os ajustes da economia. "Não avaliamos o rating de um país em função dos mercados. Temos nossas análises permanentes que embasam este trabalho", comentou.
Ela destacou que compete também aos parlamentares auxiliar o próximo governo na implementação de reformas macroeconômicas relevantes, como a tributária. "A simplificação de impostos vai desonerar os custos das empresas ao lidar com tributos, que são muitos altos", disse.
De acordo com a executiva da S&P, a agência não prevê nenhuma alteração da nota BBB- da Petrobras. Ontem a Moody?s rebaixou o rating da estatal para Baa2 (leia abaixo), com perspectiva negativa. "O rating da Petrobras acompanha a nota soberana. A empresa realiza investimentos imensos, muito importantes para o Brasil, que tem o apoio de sua realização pelo governo".
Fonte: Jornal do Commercio
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