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Dinheiro deixa (quase) todo mundo feliz
16 de dezembro de 2012Garoupas, onças, micos leões dourados, araras, garças e tartarugas marinhas. Será que esses animais trazem felicidade? E quando estão estampados nas notas de real? A consultoria de investimentos Skandia International perguntou a mais de 5 mil pessoas em 13 países – incluindo o Brasil – se “dinheiro traz felicidade”. E 80% responderam afirmativamente. Os brasileiros foram ainda mais afirmativos. Para 93% dos entrevistados, dinheiro no bolso deixa todo mundo mais feliz. A pesquisa Monitor do sentimento de riqueza também perguntou “quanto você precisaria ganhar no ano para ser realmente feliz?” A resposta dos brasileiros: quase R$ 300 mil. Ou R$ 25 mil por mês. E você? Pediu dinheiro ao Papai Noel neste Natal?
O Diario foi a um lugar bastante apropriado para falar sobre dinheiro – o shopping – e fez a mesma pergunta a pessoas de todas as idades. Poucos foram os que responderam “na lata” que dinheiro traz, sim, felicidade. Mas não negaram que uma boa conta bancária recheada tem lá seus benefícios. “Com certeza ele ajuda na vida”, afirma Karina Campos, 31 anos, mãe de dois filhos que trabalha como vendedora e recebe um salário mínimo por mês. O marido tem uma padaria no bairro do Janga, em Paulista, onde moram. Para ela, o rendimento ideal que daria para pagar o colégio dos filhos, um bom plano de saúde, fazer uma ótima feira e – claro – passear seria de R$ 10 mil por mês.
O teto da “felicidade” da também vendedora Luana Machado, 19, é a metade do de Karina. “Não sei se dinheiro traz felicidade. Mas dá uma sensação bem parecida.” Para a chefe de Luana, Simone Santana, gerente de loja de cosméticos Contém 1g no Shopping Tacaruna, felicidade é ter amigos. “Dinheiro ajuda no dia a dia.” Ela acredita que o valor depende das necessidades de cada pessoa. Mas acha que R$ 4 mil por mês é bastante razoável. Dá R$ 48 mil por ano. Valor bem distante dos quase R$ 300 mil apontados pelos brasileiros na pesquisa da Skandia International. Ou da média mundial (R$ 340 mil). Os moradores de Dubai foram os que estabeleceram o maior valor: R$ 572 mil. Já os alemães ficariam felizes com R$ 178 mil por ano.
“Se o estado devolvesse o que pagamos de impostos em bons serviços, talvez as pessoas não pensassem tanto em dinheiro”, comenta Antônio Inocêncio Lima, 70, diretor regional do Sesc Pernambuco. Ele acha que o dinheiro pode trazer felicidade. Mas depende dos valores cultivados pela pessoa. Os pesquisadores norte-americanos Elizabeth Dunn, Daniel Gilbert e Timothy Wilson acreditam que não é necessário ter muito dinheiro. Mas a forma como ele é gasto pode aumentar a felicidade. Não por acaso, o artigo que eles publicaram no Journal of Consumer Psychology (Jornal da Psicologia do Consumidor) foi intitulado Se o dinheiro não o faz feliz, então você provavelmente não está gastando de forma correta.
No texto, os autores afirmam que “o dinheiro é uma oportunidade para a felicidade, mas é uma oportunidade que as pessoas rotineiramente desperdiçam porque as coisas que elas acham que as farão felizes muitas vezes não as fazem”. Também sugerem oito dicas para fazer o dinheiro trabalhar pela nossa felicidade. A primeira delas é comprar “experiências” ao invés de “coisas”. Enquanto objetos materiais costumam perder rapidamente o seu encanto, as lembranças de uma viagem ou da ida a um show há muito aguardado ficam vivas muito tempo depois da experiência em si. Esta e as outras sete dicas dos autores estão no quadro. Não custa tentar. Na verdade até custa. Mas pode valer muito a pena.
Fonte: Diario de Pernambuco
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