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DF e mais cinco estados defendem alíquota de 7% sobre ICMS

3 de agosto de 2011


Distrito
Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e
Tocantins se uniram para defender a competitividade face às regiões
mais ricas do país. Após reunião ontem, em Cuiabá (MT),
governadores desses estados assinaram carta apoiando uma alíquota de
7% para o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS)
em todas as vendas de produtos do Centro-Oeste, do Norte e do
Nordeste para o Sul e o Sudeste. Para todas as demais operações, a
tributação seria de 2%. Assim, as unidades da Federação com
economia mais frágil recolheriam um percentual maior de imposto do
que aquelas cuja atividade é mais forte.

Atualmente, o ICMS
sobre o comércio interestadual tem alíquotas de 7% a 12%. Para
acabar com a chamada guerra fiscal – uso de benefícios tributários
como chamariz para empresas -, o governo federal propõe uma alíquota
única, entre 2% a 4%. Entretanto, nas últimas reuniões sobre o
assunto, o Nordeste insistiu que uma alíquota inferior a 7%
prejudicaria sua atividade econômica. No encontro, os governadores
do Centro-Oeste e dos dois estados do Norte aderiram à proposta de
um recolhimento mais elevado do que o do Sul e do Sudeste.

Outro
ponto importante acordado foi o de pedir à União a redução em 30%
ou mais dos tributos federais cobrados das empresas instaladas nos
estados do Centro-Oeste, do Nordeste e do Norte, tornando as três
regiões mais competitivas. As reivindicações foram listadas na
Carta de Cuiabá (veja Quadro), documento que é uma atualização da
Carta de Campo Grande, entregue à presidente Dilma Rousseff em 14 de
julho.

O secretário de Fazenda do DF, Valdir Moysés Simão,
destaca que, além de proteger os estados que têm defasagem
histórica no desenvolvimento econômico, o sistema de alíquotas
proposto garante o fim da guerra fiscal entre as unidades da
Federação de uma mesma região. “A ideia é neutralizar os
efeitos em estados próximos que favorecem empresas de forma
prejudicial à nossa economia”, destacou Simão, que citou Goiás
como exemplo.

Perda
Recentemente, o Distrito Federal
teve benefícios fiscais relativos ao ICMS cassados pelo Supremo
Tribunal Federal (STF). Os goianos, no entanto, continuam concedendo
vantagens às empresas porque a ação de inconstitucionalidade
movida pelo DF contra o estado vizinho ainda não foi julgada. Diante
da situação, vários empresários locais ameaçam debandar para lá.
Com a alíquota de 2% para as duas partes, o problema estaria
resolvido.

O governador do DF, Agnelo Queiroz, afirmou que as
negociações sobre a reforma tributária continuarão sendo levadas
adiante em bloco pelo Centro-Oeste. “Essa união é muito
importante. Somos poucos, mas representamos a região que mais cresce
no país e a segunda maior em extensão. Temos que atuar de maneira
articulada e unida”, declarou.

Uma das agendas conjuntas
definidas foi a solicitação de uma audiência com o ministro do STF
Dias Toffoli, relator da ação apresentada pelo GDF contra a
necessidade de aprovação unânime do Conselho Nacional de Política
Fazendária para benefícios fiscais.

Empresários do DF dizem
estar satisfeitos com a forma como o governo local vem conduzindo as
questões ligadas à reforma tributária, mas pedem um plano de
desenvolvimento, e frisam a importância de o Confaz convalidar os
benefícios que o STF anulou. “É importante buscar esse
consenso e resolver de uma vez por todas. Se não houver
convalidação, será impossível às empresas arcarem com o passivo
e devolverem o dinheiro aos cofres públicos”, afirmou João
Ricardo de Faria, proprietário de uma empresa de distribuição de
alimentos.

Carta de Cuiabá
Principais pontos do
documento assinado pelos governadores

» Alíquota
interestadual de 7% para o ICMS nas operações de venda do Norte, do
Nordeste e do Centro-Oeste para o Sul e o Sudeste, e de 2% em todas
as demais.

» Implementação de uma política industrial
que contemple redução de no mínimo 30% dos tributos federais para
empresas que estejam instaladas ou venham a se instalar no Norte, no
Nordeste e no Centro-Oeste

» Convalidação irrestrita dos
benefícios fiscais concedidos sem a aprovação do Conselho Nacional
de Política Fazendária

» Solicitação de apoio da União
na aprovação da proposta de lei complementar que altera o
funcionamento do Confaz. Em lugar de unanimidade, o quórum exigido
para validar benefícios fiscais passa a ser 3/5.

»
Criação de Fundo Constitucional de Desenvolvimento Regional

»
Apoio da União para projetos de desenvolvimento previstos para o
Centro-Oeste, Tocantins e Rondônia. Entre eles, a ampliação da
Ferrovia Norte-Sul, com inclusão do trecho Brasília-Goiânia, do
Eixo Ferroviário Leste-Oeste e da ferrovia Ferronorte.

»
Estabelecimento de um fundo constitucional para ressarcir
integralmente os estados das perdas com a reforma tributária

»
Alteração do indexador da dívida dos estados do Índice Geral de
Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) para o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA)

» Máximo de comprometimento de 9%
da receita estadual com as dívidas

» Garantia de
repartição igualitária dos royalties do pré-sal com os estados
não produtores a partir de 2012

» Ampliação das linhas
especiais de crédito para Norte, Nordeste e Centro-Oeste pelo BNDES

Fonte: Correio Braziliense

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