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Crise provoca retrocesso social
10 de outubro de 2016Apesar dos avanços sociais recentes, sobretudo a partir do Plano Real (1994) e depois com a intensificação das políticas compensatórias (Bolsa Família, por exemplo) nos anos 2000, a crise financeira que o Brasil vive hoje pode afetar consideravelmente a distribuição de renda e a redução da desigualdade. Um estudo realizado em São Paulo mostra que até 2025 haverá uma expansão de pobreza, mesmo com a perspectiva de melhora na economia.
De acordo com a empresa de consultoria integrada Tendências, as famílias da classe D e E (com renda de até 4 salários mínimos) continuarão a crescer, chegando a 41 milhões. Segundo o estudo, nem mesmo uma década seria capaz de reverter as consequências causadas pela atual crise econômica.
Vale lembrar que existem hoje cerca de 12 milhões de desempregados, a inflação está acima da média tolerada e os juros são dos mais altos do mundo. A soma destes fatores, agravados, claro, pelo déficit público, torna ainda mais difícil uma ação política que gere emprego e renda.
No período de 2006 a 2012, 3,3 milhões de pessoas passaram das classes D e E para a classe C (famílias com a renda de até 10 salários mínimos). Mas devido a recessão econômica e a alta da inflação, os ganhos da última década sofreram um baque. Vivemos, portanto, um momento histórico marcado pelo retrocesso social.
Somente entre 2014 e 2016, 3,5 milhões de famílias migraram para as classes D e E. A projeção aponta que essa a migração de famílias da classe C é um dos principais fatores que devem contribuir para que mais de um milhão de famílias entrem para classes menos abastadas nos próximos anos. Outro fator é o surgimento de novas famílias, que já se formarão em condições econômicas ruins.
O aumento na base da pirâmide deve ocorrer em ritmo lento, mas as dificuldades devem atingir mais de 438 mil lares até 2025, período no qual se prevê a expansão da economia. Além disso, com a atual situação econômica, o nível de endividamento das famílias saltou de 18% em 2005 para 30% no ano passado. Números do SPC e Serasa estimam que aproximadamente 60 milhões de brasileiros estão com o nome sujo na praça.
Os fatores que contribuíram para a ascensão dos mais pobres na última década, como a expansão do consumo das famílias e a ampla criação de empregos para pessoas menos qualificadas, não devem se repetir desta vez.
Além disso, segundo especialistas, a política de valorização do salário mínimo, o crédito facilitado, a inflação controlada e a entrada de mais mulheres no mercado de trabalho, que foram fatores determinantes para o crescimento da economia serão mais escassos daqui para frente. O cenário se torna ainda mais negativo com a dificuldade do governo Michel Temer aprovar um ajuste fiscal que pelo menos melhore o ambiente econômico.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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