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Crise: aceso o sinal amarelo

20 de março de 2014

BRASÍLIA E RECIFE – O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, disse ontem, na Câmara dos Deputados, que o governo "acendeu o sinal amarelo", ao falar sobre a possibilidade de um novo racionamento de energia no País.

Segundo Zimmermann, a falta de chuvas no início do ano fez, de fato, o governo ficar mais atento à situação dos reservatórios de hidrelétricas.

Desde janeiro, disse ele, todas as térmicas estão ligadas e o Ministério de Minas e Energia tem mantido reuniões frequentes com meteorologistas ligados ao ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, para traçar cenários de chuvas à frente.

"Acendeu o sinal amarelo, você está despachando todas as térmicas, mas salvo ocorrer aquela situação pior do que o histórico (de chuvas), o sistema está estruturado", disse ele, lembrando que a estação de chuvas acaba em abril.

O secretário informou, em entrevista a jornalistas após a audiência, que o governo deverá divulgar ainda nesta semana as diretrizes do leilão de energia disponível previsto para 28 de abril. Zimmermann previu, ainda, que o governo promoverá no primeiro semestre deste ano ainda um leilão de energia solar e outro com energia gerada a partir do gás produzido pelo lixo.

Zimmermann negou na Câmara que a prorrogação do impacto dos custos extraordinários no setor elétrico nas tarifas vá promover uma "explosão tarifária" a partir de 2015, conforme questionamento feito por parlamentares. O secretário-executivo revelou que o governo prevê uma redução de custos de geração de energia em até R$ 5 bilhões por ano a partir de 2015 por conta do vencimento e renovação de contratos de hidrelétricas que estão vencendo. "A diferença daquele preço que a empresa vendia pelos próximos 30 anos é algo como R$ 4 bilhões, R$ 5 bilhões por ano", disse Zimmermann.

Usinas estaduais da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia Energética de São Paulo (Cesp) terão no próximo ano um volume total de contratos de geração vencendo ao redor de 5 mil Megawatts médios. Essas empresas não aderiram ao programa de antecipação da renovação das concessões promovida pelo governo em 2012, que levou a uma queda de 20% das tarifas. Agora, o governo prevê que a renovação dessas concessões a vencer deverá dar continuidade a esse processo de redução das tarifas.

Com isso, o governo prevê que o impacto da prorrogação do aumento das contas por conta da falta de contratos das distribuidoras e a estiagem que elevou o preço do mercado no curto prazo, seja amenizado por esse efeito "positivo" nas contas em 2015 pelo vencimento das concessões.

SOCORRO

A Aneel aprovou ontem mais uma fonte de recursos para ajudar a cobrir o rombo no setor elétrico. Autorizou o repasse dos recursos da Conta de Energia de Reserva (Coner) ? fundo destinado a suprir fontes alternativas em uma espécie de backup do sistema elétrico, pago pelas empresas do setor e pelos consumidores residenciais na tarifa ? para as distribuidoras de energia elétrica. A agência estima que o Coner arrecade R$ 2,9 bilhões até o fim do ano. Assim, o socorro ao setor já soma R$ 14,9 bilhões, considerando os R$ 12 bilhões de ajuda anunciados às distribuidoras na semana passada. O objetivo é amenizar os prejuízos que essas empresas estão tendo com o uso das térmicas e o alto custo da energia no mercado de curto prazo. Em 2015, todo o custo do socorro será passado para contribuintes e consumidores.

Fonte: Jornal do Commercio

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