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Cresce endividamento das famílias, diz o BC

20 de dezembro de 2013

BRASÍLIA – O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro voltou a subir em outubro, quando atingiu a marca de 45,38%, novo recorde da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2005. Em setembro, a taxa (atualizada) foi de 45,35%, a mesma vista também no mês anterior. O levantamento considera o total das dívidas dividido pela renda no período de um ano. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento cai de 30,25% da renda anual em setembro para 30,08% em outubro, segundo o BC. Pela série histórica da instituição, não se via uma taxa tão baixa para esse indicador desde julho de 2010, quando ficou em 30,03%.

Pelos cálculos apresentados ontem, o crescimento do crédito no País vai perder velocidade no ano que vem. A projeção de expansão para o período ficou em 13%, menor do que os 14% aguardados para este ano – a previsão anterior para 2013 era de 15%. Essa nova expectativa da instituição vem alguns dias depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dizer que a expansão do Brasil se dá sobre "duas pernas mancas".

Sem entrar em choque com a declaração polêmica do ministro, o chefe do Departamento Econômico do BC,Tulio Maciel, avaliou que essa taxa prevista para 2014 será um "importante fator para a sustentabilidade do crescimento da economia. O crédito continua crescendo de forma significativa, acima do Produto Interno Bruto (PIB) nominal", avaliou o técnico.

A estimativa de menor fôlego em 2014 foi justificada pela perspectiva de que o mercado imobiliário não seguirá tão forte no próximo ano. Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que puxa o crescimento do crédito direcionado a empresas e Estados, vai reduzir o ritmo em 2014.

Na semana passada, Mantega afirmou que a redução de demanda causada pela turbulência nos mercados estrangeiros e o freio nos empréstimos têm cobrado um preço do crescimento brasileiro. "De um lado, financiamento ao consumo escasso e outra, a crise internacional que rouba parte da capacidade de crescimento", disse o ministro, na ocasião.

Confirmada a projeção do BC para este ano, haverá uma diminuição também em relação ao ritmo visto nos primeiros 11 meses de 2013.

De janeiro a novembro, o crédito teve expansão de 14,5%, totalizando um saldo de R$ 2,65 trilhões. Maciel explicou que essa diminuição se dará porque no fim de 2012, houve um desembolso "expressivo" do BNDES e não se espera que esse evento se repita na mesma magnitude este mês.

Fonte: Jornal do Commercio

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