Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

Crédito cada vez mais caro

30 de julho de 2014

BRASÍLIA – Mesmo após o Banco Central (BC) interromper o ciclo de alta da Selic, a taxa básica de juros, o crédito ficou mais caro para as famílias. Em junho, a taxa média cobrada de pessoas físicas em empréstimos com recursos livres – nos quais os bancos escolhem como emprestar – subiu pelo sexto mês e chegou a 43% ao ano. É o maior nível desde que o BC começou a divulgar os dados, em março de 2011.

No primeiro semestre, os bancos remarcaram os preços de serviços na esteira do aperto da política de combate à inflação feita pelo BC. O crédito consignado passou a ter taxa média de 25,6% ao ano em junho. Em dezembro, era de 24,4%. Já o juro do cheque especial subiu de 147,9% ao ano para 171,5% no mesmo período.

Famílias que recorreram ao crédito pessoal pagaram mais. A taxa média subiu de 86,1% no fim do ano passado para 100,3% no fim de junho. Para comprar veículos, as pessoas físicas se endividaram mais. Em dezembro, arcavam com juros de 21,3% ao ano. No mês passado, o custo chegou a 23% ao ano. Até o crédito imobiliário – que tem taxa subsidiada – ficou mais salgado. Passou de 10,7% ao ano para 11,1%.

"A alta dos juros é natural porque o BC vinha subindo a Selic, e isso afeta o crescimento do crédito. As famílias estão muito endividadas. Teremos de aceitar a desaceleração do consumo porque é boa para a inflação", disse Zeina Latif, economista da XP Investimentos.

Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, as medidas anunciadas na semana passada – como a liberação de compulsório – não devem elevar o ritmo de alta do volume de empréstimos, mas podem evitar queda nas projeções. No início do ano, o BC previa expansão de 13%, mas o número foi revisto para 12%.

Apesar da queda no custo de captação dos bancos desde dezembro, houve aumento do spread bancário de 5,5 pontos porcentuais no período. O spread é a parcela da taxa influenciada por fatores como inadimplência, tributos, despesas e o ganho das instituições financeiras.

INADIMPLÊNCIA

O BC informou ainda que a inadimplência para pessoas físicas recuou tanto no crédito livre, de 5% para 4,8%, como no direcionado, de 1,9% para 1,7%. O crédito direcionado é composto pelas operações com juros controlados ou subsidiados, como rural, habitacional, dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e microcrédito.

A queda no ritmo da economia e os juros mais altos contribuíram também para nova desaceleração do crédito. O saldo total de operações somou R$ 2,83 trilhões no mês passado (56,3% do PIB), com crescimento de 11,8% em 12 meses.

Essa é a menor taxa de expansão da série histórica e está abaixo da previsão do BC para o fechamento do ano, que é um crescimento de 13%. O crédito ao consumo para pessoas físicas cresce a uma taxa de 5,8% em 12 meses. As operações direcionadas, por outro lado, avançam 28%, puxadas pelos financiamentos imobiliários. Para as empresas, o avanço foi de 5,1% no crédito livre e 14,8% no direcionado, este último com participação subsidiada do BNDES.

A desaceleração do crédito e a queda na inadimplência são fatores que contribuíram para que o BC retirasse na última sexta-feira algumas restrições às concessões para pessoas físicas. O pacote tem impacto estimado nesse mercado de R$ 45 bilhões.

Fonte: Jornal do Commercio

Notícias