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CPMF engole 3,3% do orçamento familiar

12 de dezembro de 2007

 

Imagine o Brasil como uma grande família de 190 milhões de pessoas. Todos os anos, essa família gasta R$ 10,3 bilhões para comprar arroz, R$ 5,7 bilhões para comprar feijão e R$ 9,1 bilhões para levar para casa litros e litros de leite. O total da conta no supermercado fica em R$ 25,1 bilhões. Um bom dinheiro, é verdade. Mas não chega nem perto do que essa família Brasil vai gastar este ano com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a famosa CPMF, que o governo tenta a todo custo prorrogar para até 2011. Serão R$ 40 bilhões. De acordo com um levantamento da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), o “imposto do cheque” é o 7º item nas despesas das famílias do país.

Segundo o estudo, a CPMF representa 3,3% do orçamento mensal. Tem peso maior que o gasto com remédios (2,2%), higiene e cuidados pessoais (1,8%), plano de saúde (1,5%). “Comparamos com a CPMF e com uma cesta de produtos. Você paga o imposto em qualquer produto que compra. Não tem como escapar. De alguma forma, o produto já chega tributado”, explica Fábio Pina, assessor econômico da Fecomércio/SP. O estudo foi realizado com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE. Pina calcula que o consumo das famílias deve chegar a R$ 1,2 trilhão este ano. Os R$ 40 bilhões da CPMF representam 3,3% desse total.

O assessor econômico lembra que, quanto maior for a cadeia do produto, maior será o desembolso com o imposto. Isso porque ele incide em cascata. Até quando paga um outro imposto, como o IPVA ou IPTU com cheque ou débito em conta, o brasileiro está deixando um pedacinho de CPMF para o governo. A alíquota é de 0,38%. “Essa foi a primeira comparação desse tipo que fizemos. Nossa intenção foi medir e mostrar a magnitude da CPMF. As pessoas não têm idéia. Gasta-se com o imposto tanto quanto se gasta com educação”, destaca Fábio Pina. A contribuição entrou em vigor em janeiro de 1997 e substituiu o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF).

Contas – Administrador de um restaurante no Recife, Leandro Angelo da Silva, 25 anos, tem uma planilha do computador com todas as despesas diárias. Gasta R$ 14,70 para comprar os 10 quilos de arroz, R$ 41 para adquirir os oito quilos de feijão e R$ 17 na compra dos 10 litros de leite. Mas não sabe quanto paga de CPMF. “Eu pesquisei na internet sobre o imposto. Pensava que a gente só pagava quando passava cheque. Mas não é assim. É com tudo”, diz. Embora acredite que “é um absurdo” o brasileiro ter que arcar com a contribuição, Leandro acha que o governo vai conseguir aprovar a prorrogação da cobrança.

Fonte: Diário de Pernambuco

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