Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

CPMF caiu. Os preços, não

23 de fevereiro de 2008

O fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) não foi repassado para o preço final dos produtos. A avaliação é da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que fez uma análise comparativa entre o peso do tributo na composição do preço das mercadorias e a inflação de janeiro medida pelo IPCA. A expectativa era que a extinção do tributo respondesse pelo barateamento de produtos, o que a FGV não verificou.

“A extinção da CPMF gerou uma expectativa forte de benefício imediato ao consumidor. Estamos avaliando o impacto da medida”, explica Marcos Cintra, vice-presidente da FGV. A Fundação levantou o peso do tributo sobre o preço final de produtos de 42 setores da economia e encontrou um percentual médio de 1,61%. “No momento em que esse componente é eliminado do custo, imaginamos que os preços caiam nesse patamar”, coloca Cintra. O que se observou em janeiro, porém, foi uma inflação média de 0,54%.

No levantamento, Cintra encontrou o peso máximo da CPMF na indústria de café, de 2,25%. Por outro lado, o café moído ficou 0,16% mais caro e o solúvel, 0,73%. O tributo encarecia em 1,49% o preço dos produtos farmacêuticos. Porém, mesmo com a extinção da Contribuição, essas mercadorias registraram um aumento de 0,15%. A mesma análise comparativa é feita para os eletrônicos. Para essa cadeia produtiva, a CPMF tinha um peso de 1,74% embora o preço das mercadorias do setor tenha sofrido uma alta média de 1,74%. Da mesma forma, os serviços pessoais deveriam ter ficado 1,31% mais baratos com a eliminação do custo da CPMF. Entretanto, o IPCA para o setor registrou uma alta de 0,64%.

“Verificamos que houve aumento em todas as áreas analisadas. Isso mostra que a extinção da CPMF não foi repassada”, conclui Cintra. O especialista explica que existem três hipóteses que podem justificar o comportamento do mercado. Uma delas, apontada como a mais provável, é que as empresas simplesmente absorveram a redução do custo com o fim da CPMF. A outra é que os reflexos dessa medida serão sentidos mais lentamente. A terceira hipótese é que existem outros fatores para justificar uma inflação mais alta ou mais baixa, como elevação do preço dos insumos importados, condições climáticas adversas. “Se observamos os dados gerais da economia, não verificamos nenhum choque inflacionário generalizado em janeiro”.

Segundo o economista Roberto Fendt, vice-presidente do Instituto Liberal, o fim da CPMF não necessariamente baixaria o preço da mercadoria. “As expectativas às vezes são exageradas”. Fendt explica que nem toda empresa repassa o peso de um tributo para o consumidor, o que depende da competitividade do mercado e posicionamento da empresa. “Cada caso deve ser avaliado”.

Fonte: Jornal do Commercio

Notícias