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Corte na máquina na reta final do governo

12 de outubro de 2013
A união do governador Eduardo Campos com Marina Silva começa a reverberar em Pernambuco. Desde que uniu-se a ex-senadora, o governador de Pernambuco intensificou o discurso da moralidade política, amplamente explorado no programa partidário da última quinta-feira. Ontem, Campos anunciou – após sete anos, 10 meses e 11 dias de governo -, a redução de cargos comissionados na sua administração. Dos 3.536 comissionados do Estado, 969 deixarão os postos para assumir funções como funcionários efetivos da administração pública.
 
Isso será possível depois que a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovar o Projeto de Lei protocolado ontem mesmo pela Secretaria de Administração do Estado, chefiada por Décio Padilha. Nele, todos os funcionários concursados que hoje estão ocupando cargos em comissão, com gratificação extra, passarão a ter a gratificação de chefia, reduzindo os cargos em comissão para 2.567.
 
De acordo com o governador, a medida representará uma redução de R$ 25 milhões por ano na folha de pagamento dos servidores. A economia será possível porque deixando de ter 969 comissionados, o Estado deixará de pagar contribuição patronal para Previdência, vencimentos e gratificação desse pessoal. Eduardo Campos ressaltou que a medida tem como maior relevante a redução das indicações políticas, discurso que casa com a retórica reforçada após a parceria com o Rede Sustentabilidade.
 
Uma pergunta pairou durante toda o evento que marcou o anúncio da redução: Por que esta redução só foi colocada em prática um ano antes da eleição? "Nós não tínhamos o número necessário de concursados para fazer antes a redução. Precisávamos de concursados para poder reduzir esses comissionados", assegurou o governador-presidenciável.
 
O secretário Décio Padilha explicou que o projeto foi concluído nas últimas 48 horas. "O governador nos pediu esse projeto há cinco meses. Demoramos para entregar porque foi necessária uma pesquisa em todo o organograma do Estado para sabermos se tínhamos e onde estavam os concursados", destacou.
 
Em duas reportagens este ano, publicadas nos meses de maio e junho, o JC apontou o loteamento nos cargos comissionados do Estado. De acordo com dados da própria secretaria de Administração, fornecidos em maio passado, os comissionados aumentaram em 75% nos sete anos da gestão de Campos. Entre as 29 secretarias instituídas no governo Eduardo – número que pouco difere do de ministérios do governo Dilma Rousseff (PT), que tem 33 pastas – a que mais conta com cargos comissionados é a de Saúde, gerida por Antônio Figueira, com 705 indicações. Atuando na sede provisória do governo, ou seja, diretamente com o governador, estão outros 226 comissionados.
 
Até hoje, os 133 mil servidores do governo custam R$ 675 milhões por mês. 

Fonte: Jornal do Commercio

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