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Contas do Estado pioraram em 2014
27 de fevereiro de 2015O governador Paulo Câmara terá dificuldades para conseguir êxito no seu esforço de racionalização de despesas anunciado no início do mês. O Plano de Contigenciamento de Gastos (PCG) prevê cortes de R$ 320 milhões nos dispêndios do Estado, mas os esqueletos deixados pelo governador João Lyra para 2015 somam mais do que isso: R$ 328,8 milhões. Esse número consta no Relatório de Gestão Fiscal do Estado publicado esta semana e representa um aumento de 29% em relação às contas de 2013, quando o governo de Eduardo Campos deixou R$ 255 milhões para serem pagos pelo seu substituto. Os restos a pagar são despesas que foram empenhadas pelo governo mas que não foram pagas até o dia 31 de dezembro. Considerando-se os restos a pagar de exercícios anteriores (antes de 2014), a conta deixada para 2015 aumenta em R$ 29,4 milhões.
Em sua defesa, a Secretaria da Fazenda diz, em nota, que o valor de R$ 328,8 milhões "representou apenas 1% do total das despesas em 2014. Em 2013, quando os restos a pagar totalizaram R$ 255 milhões, significaram 0,94% do total das despesas. Nos anos anteriores, ficaram sempre em torno de 1%. Os dados também mostram que, ao final de 2014, havia uma disponibilidade de caixa líquida de R$ 873,454 milhões para pagamento dos restos a pagar". Em 2013, o governo detinha mais de R$ 2 bilhões em disponibilidade de caixa, mas da mesma forma empurrou despesas para o ano seguinte.
Em seu blog sobre macroeconomia, o especialista em contas públicas Mansueto Almeida explica que restos a pagar não são contabilizados como dívida, mas o governo, mais cedo ou mais tarde, terá que pagar essa conta seja com receita corrente ou com mais dívida.
Com relação a este tema, aliás, as contas do Estado pioraram bastante em 2014. A dívida consolidada líquida do Estado em 2014 somou R$ 10,702 bilhões, num crescimento de 49,8% em relação a 2013, quando era de R$ 7.143 bilhões. Nas contas, as obrigações de 2014 representam um comprometimento de 57,9% da Receita Corrente Líquida (RCL) de R$ 18,475 bilhões. O alento é que Pernambuco está bastante abaixo do limite legal de endividamento estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), de 200% da RCL.
Mas quando o assunto é despesa com pessoal, as coisas começam a complicar. Pelos números apresentados, os gastos do Executivo com o funcionalismo público representaram no ano passado 46,24% da RCL. Esse resultado está 2,1 pontos percentuais acima do limite de alerta estabelecido pela LRF, que é de 44,1% da RCL e apenas 0,31 ponto do limite prudencial (46,55%) estabelecido em lei. Em nota, a Sefaz comemora o resultado. "Sobre as despesas com pessoal em relação à Receita Corrente Líquida (…), ficamos abaixo do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 46,55%". Em 2014 os gastos com pessoal exigiram R$ 8,54 bilhões dos cofres públicos.
REPERCUSSÃO
Ex-conselheiro do Tribunal de Contas (TCE) e membro da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, o deputado de oposição Romário Dias (PTB) disse ontem que pode fazer um pedido de informação ao governo do Estado. Ele quer saber quanto o governo Eduardo Campos/João Lyra (PSB) deixou em restos a pagar, em 2014, e também quanto foi pago.
Romário afirmou que vai pedir ao presidente do colegiado, Clodoaldo Magalhães (PSB), a senha do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafem) – para ter acesso às contas do Estado – ou que ele lhe repasse as informações sobre a situação de Pernambuco.
Caso Magalhães diga que desconhece, terá 30 dias para pedir as informações ao governo. Não sendo cumprido o prazo, Romário anuncia que fará o pedido de informação – ferramenta constitucional -, o que obrigará o Executivo a responder os questionamentos do Legislativo. "É o que determina a Constituição. Precisamos saber quanto o Estado deve e qual a sua situação financeira".
Fonte: Jornal do Commercio
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