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Como seu FGTS ajuda a economia
19 de fevereiro de 2017A notícia da liberação de saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) animou 30 milhões de pessoas em todo o País que, juntas, terão em mãos R$ 43,6 bilhões para pagar dívidas e fazer a economia girar. Esses recursos, no entanto, representam apenas 12% do saldo total desse fundo, cuja função vai além dos pagamentos aos trabalhadores com carteira assinada. Com um montante de R$ 364 bilhões, o saldo é um dos principais ativos do País, usado para financiar obras de habitação, saneamento básico e infraestrutura.
Por lei, as empresas são obrigadas a recolher mensalmente 8% do salário bruto de cada funcionário. Essa garantia torna o FGTS um recurso seguro para o governo usar em grandes investimentos. Primeiro, a liberação era voltada para a habitação e saneamento básico, mas hoje contempla também obras de infraestrutura urbana para o desenvolvimento regional. No caso de Pernambuco, por exemplo, obras como a Via Mangue e os corredores de BRT LesteOeste e NorteSul foram viabilizadas através do montante liberado do fundo de garantia.
O rendimento de apenas 3% ao ano (mais Taxa Referencial) é um dos mais baixos da economia brasileira, ficando atrás até da poupança, que perdeu retorno diante da inflação dos últimos anos. E é justamente isso que faz o fundo ser viável para o financiamento imobiliário. "O FGTS é o principal funding hoje para a construção civil e mercado imobiliário. Essa importância aumenta na medida em que a renda do Estado ou município é menor. Ou seja, o setor no Norte e Nordeste depende quase que totalmente do fundo", analisa o presidente do SindusconPE, José Antônio Simon.
Além do dinheiro em circulação, parte dos recursos totais do fundo fica em aplicações do mercado financeiro para que haja um maior rendimento. Graças a essa diversificação, o fundo apresentou lucro mesmo na recessão. Por outro lado, os bons resultados criaram uma pressão para que o governo elevasse o percentual de rendimento para mais de 6%. Para evitar esse aumento e o consequente impacto no financiamento das obras, no fim do ano passado o governo decidiu dividir parte do lucro líquido do FGTS com os trabalhadores. A expectativa é que nos próximos anos metade desse ganho seja distribuído entre os cotistas.
De acordo com o último balanço (referente ao ano de 2015 fechado), as obras representaram R$ 61 bilhões dentre os mais de R$ 181 bilhões do total do valor do FGTS em circulação. Mesmo relevante, o montante aplicado em obras ainda fica abaixo dos R$ 99 bilhões que foram sacados pelos trabalhadores naquele ano. "O fundo pode ser visto de duas maneiras, para atender o trabalhador e o governo. Mas indiretamente os trabalhadores são beneficiados, já que, investindo em construção, há contratação de mão de obra, gerando empregos", diz a professora do departamento de Economia da PUCSP, Renata Sena.
Os mais liberais defendem que um fundo de depósito compulsório onera as empresas, que poderiam usar os recursos para aumentar os salários e contratar mais. Mas a própria criação do FGTS remonta a uma iniciativa que procurou equilibrar os interesses de empresas e trabalhadores. "Antes de 1967, havia a estabilidade do emprego. Depois de dez anos numa empresa, o funcionário não podia ser demitido. O FGTS veio para substituir isso", conta o gerente Regional da Caixa para o FGTS, Ayrton Vasconcelos.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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