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Com alta da TR, casa fica mais cara

24 de novembro de 2013
A fatura da casa própria está mais pesada. Com a alta dos juros promovida pelo Banco Central, um dos índices que corrige os financiamentos imobiliários, a Taxa Referencial (TR), também tem crescido e onerado os saldos devedores dos contratos. Enquanto o BC der continuidade ao aperto monetário, o sonho de ter uma moradia continuará ficando mais caro. Em um empréstimo de R$ 300 mil, por exemplo, que sofreu reajuste anual em 5 de novembro, o incremento da dívida chegou a R$ 283,86 só por conta da TR. Se os juros cobrados pelo banco forem de 10% ao ano, o aumento  chega a R$ 30,3 mil em 12 meses.
 
A TR, que estava praticamente zerada até julho, começou a crescer depois que o BC deu início à elevação da taxa básica de juros (Selic). De 7,25% ao ano, em março, a Selic chegou a 9,50%, em outubro, levando com ela os demais juros do mercado. O efeito nos contratos imobiliários, no entanto, não é uniforme. “Tudo depende do tamanho da operação e do prazo do financiamento”, explicou Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
 
Em 19 de novembro, por exemplo, a TR foi de 0,0785%. Um saldo devedor de R$ 100 mil, com aniversário naquele dia, cresceu R$ 78,50, sem contar os juros. O consumidor quase nunca percebe esses aumentos porque olha apenas para a prestação, que dissolve o valor ao longo do ano. Ao analisar o financiamento a fundo, porém, é possível observar como os juros são muito superiores à parcela de amortização. Em função disso, para quem tem um contrato pela tabela SAC (Sistema de Amortizações Constantes), é vantajoso adiantar parcelas e, se possível, usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater o montante devido.
 
Paulo Simão Safady, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, diz que ainda não há motivo para desespero e que o impacto da TR ainda é pequeno. “É baixo, mas a gente sabe que, se houver uma mudança nos juros interbancários, a tendência é aumentar”, disse.
 
O medo da "bolha"
É fato: os preços dos imóveis em Pernambuco vêm em disparada há pelo menos cinco anos. Não é por menos que, hoje, o Recife ocupa o quinto lugar no ranking das cidades brasileiras com o metro quadrado mais caro do país (R$ 5.693), de acordo com o índice FipeZap, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Dados referentes a outubro apontam que, em 12 meses, os preços dos imóveis subiram 12,2% na capital pernambucana. Há quem diga que estamos vivendo numa bolha imobiliária. Será verdade?
 
Essa e outras perguntas serão esclarecidas durante o seminário Lições de Bolso – a hora da casa própria, a ser realizado na próxima quinta-feira, no auditório do Banco Central, na Rua da Aurora. “Temos um cenário de bolha imobiliária quando há um aumento exagerado nos preços dos imóveis, reduzindo a demanda e aumentando a oferta”, esclarece o economista Marcelo Barros, que faz parte do time de palestrantes do evento e também é colaborador do blog homônimo do Diario (www.licoesdebolso.com.br).
 
De acordo com ele, muitas pessoas se questionam se este é o momento ideal para comprar, vender ou trocar de imóvel. “É preciso avaliar o mercado com cautela. Durante o seminário, vamos falar sobre como a população deve se posicionar diante do aumento de preços”, explica. Quem for ao auditório do Banco Central vai conferir, ainda exemplos reais de mercados que sofreram com a temida bolha, como é o caso do Japão e, mais recentemente, dos Estados Unidos.
 
No caso dos EUA, o estouro da bolha imobiliária provocou uma crise econômica mundial em 2008, com efeitos que duram até hoje. Isso aconteceu porque as pessoas não honraram as hipotecas de suas casas junto aos bancos, o que causou um gigantesco calote, resultando na falência de algumas instituições financeiras. O caso mais emblemático foi a quebra do Lehman Brothers, que tinha o tesouro norte-americano como um dos principais clientes no mercado de valores mobiliários. “No Brasil, o que percebemos é que a renda das famílias não aumentou na mesma proporção que os preços dos imóveis”, diz Barros.
 
O economista e professor da Faculdade Boa Viagem (FBV) Antônio Pessoa, que também é um dos palestrantes do Lições de Bolso, diz que o crescimento do metro quadrado no Recife se deve à pequena área territorial da cidade, além da baixa disponibilidade de terrenos para os edifícios. “A bolha imobiliária não é um tema que está muito distante das pessoas, por isso é importante que haja um esclarecimento com relação ao assunto.”
 
Encargos
Outro tema em debate durante o seminário é o custo real dos financiamentos imobiliários. Para o analista do Banco Central Breno Moreira, a maioria das pessoas desconhece todos os encargos que estão embutidos durante um financiamento desse porte. “O crédito imobiliário pode trazer vários riscos por conta do comprometimento da renda e por ser de longo prazo”, afirma. A melhor forma de analisar as condições é pelo Custo Efetivo Total (CET), que leva em consideração todas as despesas incidentes nas operações de crédito.
 
As taxas de avaliação do bem, os seguros e as tarifas administrativas são alguns dos encargos que mais pesam no CET. “No seminário, as pessoas vão conhecer uma outra forma de se comparar propostas de financiamento, para que o sonho da casa própria não se transformem num pesadelo”, finaliza Moreira. Confira a programação completa no site www.licoesdebolso.com.br. 

Fonte: Diario de Pernambuco

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