Notícias da Fenafisco
Com a crise, Estado só cresce 1,5%
10 de junho de 2009
Adriana Guarda
adrianaguarda@jc.com.br
Se não fosse o cenário de crise, a expectativa era que o PIB de Pernambuco crescesse entre 6,5% e 7,5% em 2009, com forte tendência de superar a performance do ano anterior (6,8%). Com a situação adversa e o desenho de uma recessão no País, as projeções da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem) apontam para um avanço da economia local entre 2,5% e 3,5%. Ontem, a agência divulgou o resultado do PIB do primeiro trimestre de 2009, apontando crescimento de 1,5% em relação a igual período do ano passado, mas não apresentou o comparativo com os últimos três meses de 2008, que retratam o agravamento da crise econômica global. Neste período, houve desaceleração da economia pernambucana, com a taxa de expansão do PIB saindo de um patamar de 4,9% para 1,5%, mas o Condepe não calcula percentualmente essa retração.
O diretor de Informações, Estudo e Pesquisa do Condepe, Maurílio Lima, explica que a agência ainda não dispõe de metodologia para comparar trimestres subsequentes, eliminando os efeitos sazonais, a exemplo do que faz o IBGE com a divulgação do PIB nacional. “A comparação com o último trimestre de 2008, certamente apontaria uma queda na economia pernambucana, mas esse é um cálculo que ainda não fazemos”, pondera.
Na comparação do primeiro trimestre de 2009 com igual intervalo de 2008, o PIB pernambucano cresceu acima da média brasileira, que apresentou queda de 1,8%. “A crise afetou o Brasil e também afetou o Estado, mas em função do vigor da economia local, o impacto aqui foi menor”, observa Lima. O economista afirma que apesar da desaceleração do crescimento, o Estado comemora expansão em todos os setores econômicos, com incremento de 0,9% na agropecuária, de 1,3% na indústria e de 1,8% nos serviços.
O presidente do Condepe, Luiz Quental, reforça esse argumento dizendo que Pernambuco tem gorduras a queimar, numa referência aos grandes projetos em implantação no Estado (leia matéria abaixo), que estão impulsionando alguns setores. O PIB pernambucano vem crescendo paulatinamente desde 2004 e, a partir de 2005, as taxas estaduais passaram a ser superiores ao desempenho nacional. “Tradicionalmente o segundo semestre apresenta um resultado melhor. Por isso, acreditamos que o resultado de 2009 será positivo, inclusive com performance melhor que a atual”, defende.
O presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Jorge Côrte Real, destaca que alguns setores foram mais penalizados, a exemplo da indústria de transformação, que registrou queda de 6,9% e da metalurgia. “Um agravante (no caso da indústria de transformação) é o freio nos investimentos, porque as empresas vão trabalhar com base na utilização de sua capacidade instalada, sem apostar em ampliações”, complementa o economista Raimundo Vergolino.
Fonte: Jornal do Commercio
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