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Chegadas de novas doses trazem alívio
3 de maio de 2021O Brasil abre a semana com aproximadamente 11 milhões de novas vacinas contra o coronavírus à disposição. Cerca de 7 milhões chegaram ainda na sexta-feira, produzidas na Fiocruz e no Instituto Butantan. Outro lote, de 4 milhões, aterrissou no país no fim de semana, enviado pelo consórcio global Covax Falicity.
As novas remessas que chegaram possibilitam que o governo federal entre em um ritmo considerado ideal pelos pesquisadores – em seus cálculos, o país precisaria de 1,5 milhão de doses aplicadas por dia para concluir a proteção dos grupos prioritários, formado por 80,5 milhões pessoas, ainda neste semestre.
No entanto, a atual remessa dura apenas dez dias, e é preciso outras igualmente expressivas para que o país permaneça em um ritmo ideal para a campanha de imunização.
Na semana passadas, diversas cidades anunciaram a suspensão da aplicação da segunda dose da CoronaVac por falta de vacinas. A escassez pode ser corrigida ainda nesta semana. O Instituto Butantan prometeu entregar 1 milhão de doses na próxima quinta-feira.
Cerca de 31 milhões de pessoas já receberam ao menos uma dose de imunizante contra a covid-19, o equivalente a 15% da população. No mês de abril foram aplicadas, em média, 816 mil doses diárias. Até o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitiu que, mantida essa marcha, a vacinação dos grupos prioritários seria concluída apenas em setembro. O atraso no cronograma foi atribuído a problemas nas remessas de insumos, que ainda não são fabricados no Brasil.
“Vamos trabalhar muito fortemente para imunizar a população brasileira toda até o final de 2021 e assim voltarmos a nossa vida normal”, disse Queiro, ao acompanhar o desembarque das doses ontem.
Das vacinas integradas neste fim de semana ao sistema de saúde, 10,5 milhões são da AstraZeneca – 6,5 milhões foram produzidas na Fiocruz, parceira brasileira da farmacêutica, e 4 milhões são da Covax Facility. Outras 420 mil doses são da CoronaVac, fabricadas pelo Instituto Butantan.
Alberto Chebabo, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, considera que remessas de doses semelhantes não erradicarão a pandemia, mas seriam suficientes para “sentir uma diferença” no serviço de saúde pública.
“Vacinamos menos de 1 milhão, e o ideal seria ao menos 1,5 milhão (ao dia)”, descreve. “Difícil saber se conseguiremos outras remessas com o mesmo porte nos próximos meses. E muitas pessoas que receberam uma dose ainda não estão devidamente protegidas, porque a imunidade é adquirida apenas um mês depois”.
Para o infectologista, o governo deveria acelerar a busca por novas marcas, além da AstraZeneca e da CoronaVac, para garantir outras remessas expressivas de vacinas. A Pfizer, por exemplo, só enviou ao país 1 milhão, das 100 milhões de doses compradas, e sua distribuição será restrita aos grandes centros.
Outro negócio promissor, segundo Chebabo, seria a aplicação da vacina da Janssen, que ocorre em dose única, e portanto aceleraria o processo de imunização. Seu uso emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mas seria preciso antecipar a entrega das doses, procedimento que, segundo o cronograma, começará apenas no terceiro trimestre.
De acordo com João Viola, presidente do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, a nova leva fará com que o número de vacinados passe de 15% para 20% da população. É, segundo ele, uma evolução, mas ainda distante do “marco satisfatório”, que seria ter 60% de pessoas imunizadas.
Outros países, como Reino Unido, Israel e EUA, contrapõe Chebabo, começaram a apresentar queda de mortes e casos quando atingiram cerca de 40% a 50% da população acima de 18 anos vacinada. Mas ele pondera que os imunizantes usados nesses países têm uma eficácia maior que a CoronaVac, que representa a maior parte das vacinas aplicadas até agora no Brasil.
“É um ganho para idosos, profissionais de saúde, pessoas com comorbidade e professores, cuja inclusão no grupo prioritário foi fundamental para um possível retorno gradual à rede de ensino”, elogia Viola. “Se conseguirmos manter o recebimento de vacinas nesse ritmo satisfatório, talvez essas categorias estejam plenamente vacinadas ainda neste semestre, o que vai desafogar nosso sistema de saúde”.
O restante da população poderia atingir a segunda dose de imunização até setembro, calcula Viola, caso o país explore o seu potencial para produção e distribuição de vacinas. Do contrário, a quantidade necessária de pessoas imunizadas para manter a taxa de transmissão do coronavírus sob controle seria atingida apenas no fim do ano.
“O Brasil tem capacidade comprovada de vacinar 2 milhões de pessoas por dia. Faltam imunizantes por diversos motivos, como a dependência de importações de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), que são disputados por diversos países, e a falta de tecnologia para produzirmos uma vacina nacional, que seria adequada às características da epidemia em nossa população”, explica.
O Brasil registrou 407.639 mortes por covid-19, conforme atualização do Ministério da Saúde divulgada ontem. Em 24 horas, foram registrados 1.202 novos óbitos pelas secretarias estaduais de saúde.
Entre o sábado e domingo, foram notificados 28.935 novos casos de infecção. A soma de casos acumulados ficou em 14,754 milhões. O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou ontem, a 31.875.681, o equivalente a 15,05% da população total. Nas últimas 24 horas, 110.607 pessoas receberam uma dose da vacina
PERNAMBUCO
O Estado recebeu, na tarde do último sábado, mais 14.600 doses da vacina Coronavac produzidas pelo Instituto Butantan, de São Paulo, para prevenção contra o novo coronavírus. A nova remessa será destinada exclusivamente à aplicação da segunda dose em idosos.
Fonte: Jornal do Commercio
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