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Centrais reagem à reforma trabalhista

10 de setembro de 2016

O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD¬SP), classificou como "inoportunas" e "delirantes" as propostas para a reforma trabalhista que vêm sendo divulgadas por membros do governo. A última, de formalizar a jornada de até 12 horas diárias, foi revelada na quinta-¬feira pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, em seminário da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB Brasil).

"O governo precisa ter mais prudência na divulgação de medidas que estão sendo feitas de forma atabalhoada e fatiada, e que atrapalham o debate e o avanço nas negociações", diz o deputado Paulinho. Segundo ele, quaisquer mudanças na legislação trabalhista e previdenciária devam ser amplamente discutidas com a sociedade e com os representantes dos trabalhadores, de forma democrática e transparente. "É estranho e temerário tentar fazer reformas às pressas e na calada da noite", diz.

Na avaliação do dirigente da Força, as propostas vazadas até o momento revelam "uma colcha de retalhos, que nada têm a contribuir com a sociedade e com a governabilidade". "Ressaltamos que promover mudanças nas legislações previdenciária e trabalhista como parte do ajuste fiscal, aplicando medidas que só resultam em prejuízos para os trabalhadores, é uma forma perversa de fazer com que somente a classe trabalhadora pague a conta pelos desmandos e pelos frequentes erros dos últimos governos."

Apesar do discurso de Paulinho, a Força Sindical diverge da Central Única dos Trabalhadores (CUT) sobre a estratégia de "reação" contra a reforma trabalhista. Ligada ao PT, a CUT defende a convocação de uma greve geral contra as mudanças na CLT que serão propostas pelo presidente Michel Temer. Próxima a Temer, a Força Sindical defende a greve como "último recurso". Os líderes das duas organizações trataram do assunto em um almoço na semana passada, mas não chegaram a um consenso.

Em meio à polêmica, o governo teve que se empenhar ontem para garantir que as mudanças não vão tirar direitos dos trabalhadores. Além de soltar nota de esclarecimento à imprensa, a pasta divulgou vídeo em redes sociais para desmentir boato. "O que está em estudo é a possibilidade de permitir aos trabalhadores, através de seus representantes eleitos e em sede de convenção coletiva, ajustarem a forma de cumprimento de sua jornada laboral de 44 horas semanais da maneira que lhes seja mais vantajosa", disse a pasta.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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