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Caixa só vai financiar 50% do imóvel

28 de abril de 2015

Dez dias após o anúncio de restrições ao financiamento de imóveis adquiridos com recursos da poupança, a Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou que vai restringir ainda mais sua concessão de crédito, com foco específico desta vez nos imóveis usados. A partir do dia 4 de maio, o teto do financiamento através do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) vai passar de 80% para 50% do valor do imóvel. Ou seja, a CEF só irá financiar até metade do valor do imóvel.

Em Pernambuco e na maioria dos Estados brasileiros, o SFH é aplicado a imóveis com valor máximo de R$ 650 mil e representa a maior parte dos financiamentos do segmento no País. Com a redução do teto, o comprador que usar recursos da poupança para o financiamento terá que desembolsar 50% do valor da casa própria no ato da compra.

Para os imóveis comprados através do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), voltado aos grandes investimentos imobiliários, a redução do teto foi de 70% para 40% para o valor da operação. Em nota, a Caixa apenas confirmou os novos percentuais e destacou que, durante o ano, pretende manter o foco nos imóveis novos enquadrados nos programas de habitação popular.

No último dia 16, a CEF já havia anunciado a restrição da concessão de crédito para financiamento de imóveis novos e usados. Segundo esse primeiro reajuste, o teto do financiamento foi reduzido de 90% para 80%, no caso do Sistema de Amortização Constante (SAC), e de 70% para 50%, na Tabela Price. O motivo para a sequência de restrições deve-se à grande quantidade de retiradas da poupança, diminuindo seus recursos para conceder empréstimos. Nenhum dos dois reajustes anunciados, porém, incidem sobre imóveis negociados pelos programas de habitação popular, como o Minha Casa, Minha Vida, ou que usam recursos do FGTS.

A notícia foi recebida com preocupação pelo mercado imobiliário do Recife. "Considerando que fazíamos muitas negociações com esse percentual máximo de financiamento, podemos esperar uma grande redução na quantidade de negociações desse tipo. Por outro lado, as incorporadoras vão ser beneficiadas, ajudando a reduzir os estoques de novos", avalia Ateniense Machado, proprietário da Prix Consultoria Imobiliária.

Ele ainda lembra que as restrições podem acabar incentivando o mercado de locação, já que a renda com o aluguel vai ser mais fácil que a com a venda do bem. "Era preciso alguma intervenção para ajudar o mercado, mas acho que havia outros instrumentos para conseguir isso sem comprometer um grupo específico que vinha sustentando o setor", critica Machado.

Fonte: Jornal do Commercio

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