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Brasileiro menos motivado
1 de agosto de 2016Nunca se falou tanto em ferramentas de desenvolvimento profissional e na necessidade de investir em treinamentos constantes para potencializar os resultados das equipes nas empresas, além da importância de acompanhar de perto os colaboradores. Por outro lado, a motivação do profissional brasileiro no trabalho está mais baixa.
Segundo pesquisa mundial realizada pela empresa especialista em recursos humanos Aon, o Brasil apresentou queda de 1% no engajamento profissional no ano passado ¬ determinado pelo nível de envolvimento e motivação no trabalho. O resultado vai na contramão dos dados globais, que apontam elevação de 3% no entusiasmo no ambiente corporativo. Na América Latina em particular, o crescimento foi de 1%.
Analisando o contexto geral, o dado não é tão preocupante assim. No ranking que leva em consideração o engajamento profissional em todos os países do mundo, o Brasil ocupa a 10ª posição, com índice de 69% de engajamento. O número é positivo e inclusive acima da média global apurada pela Aion Brasil, de 65%.
De acordo com a própria organização, apesar de o Brasil ainda não ser um país com fortes políticas de desenvolvimento profissional no geral, a cultura do País está ligada a um clima de informalidade inclusive nas relações de trabalho, o que ajuda a aumentar o engajamento, mas não foi suficiente no ano passado. "O mais preocupante não é a queda do índice, e sim isso começar a acontecer de forma contínua, graças à conjuntura da crise. Enquanto empresas globais investem em programas de desenvolvimento, no Brasil, estamos apostando menos em capacitação para enxugar custos", aponta o gerente de talento da Aon Bruno Villela Andrade.
Por outra ótica, a pesquisa também revela que os líderes, até mesmo em posições mais elevadas, como diretores de empresa, tem estado cada vez mais perto dos colaboradores da organização. "É uma postura que tenta compensar a falta de recursos das organizações para investir em treinamentos. Líderes ficam perto para estimular o trabalho desenvolvido e motivar as equipes com reuniões para dar feedback e diálogos sobre o futuro da empresa", diz Andrade. Essa aproximação também é responsável por tranquilizar os funcionários sobre seu papel dentro da organização. É o que defende a responsável pelo escritório da Consultoria de Mobilidade de Talentos Lee Hecht Harrison no Recife, Mariangela Schoenacker. "Garantir espaços de escuta e fazer com o que profissional esteja consciente da situação da empresa evita que boatos se espalhem e deixem todos inseguros, mais ansiosos e improdutivos", diz.
Parte da motivação que os profissionais encontram para desempenhar cotidianamente seu trabalho não compete à atuação da empresa no que diz respeito a oferecer bons salários, plano de carreiras, capacitação profissional e outros benefícios, e sim ao próprio colaborador. "Ao escolher um trabalho, todo profissional deve ter clareza sobre se aquela função e a cultura da empresa estão aliadas a seu propósito de vida, ou o engajamento nunca vai acontecer", defende Mariangela.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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