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Brasil vai reduzir jornada para manter os empregos

6 de maio de 2014

Em tempos de crise econômica é comum surgirem propostas de redução de jornada de trabalho para manter os empregos. Foi assim nos Estados Unidos com a bolha imobiliária que provocou a quebradeira dos bancos. Se repetiu nos países europeus que enfrentam altas taxas de desemprego desde que estourou a crise na Zona do Euro. Agora, o Brasil ensaia uma medida para evitar a ameaça de demissão anunciada pelas montadoras de carro. O Programa Nacional de Incentivo ao Emprego (PPE), em gestação no governo federal, prevê a redução de até 50% das horas de trabalho com a diminuição proporcional do salário. O trabalhador terá uma complementação do salário com recursos do FGTS. 

A proposta deverá ser formatada através de medida provisória (MP) para ter o carimbo do governo. Se der certo no setor automotivo, o PPE poderá ser estendido para outros setores. Segundo Marcos Alencar, especialista em direito do trabalho, a medida está prevista no artigo 468 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O setor têxtil já experimentou o modelo em Pernambuco. Em 2007, a tecelagem Aleste propôs o acordo a um grupo de 40 trabalhadores para evitar demissões. 

“Reduzimos a jornada de 240 horas/mês para 200 horas/mês com a diminuição de 25% dos salários. A empresa começou a exigir mais produção em menor tempo. Inviabilizou o acordo”, relembra Helman Francisco, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem. O desfecho foi o fechamento da empresa e a demissão dos empregados, que até hoje não receberam indenização trabalhista. 

Oscar Rache, presidente do Sindtêxtil-PE, diz que a medida poderá ser usada pelo setor têxtil nacional, que enfrenta a invasão dos produtos chineses. O setor empregava 15 mil trabalhadores em 2005 e caiu para 1.300 nos dias atuais no estado. “Pode servir como uma medida pontual, mas o setor industrial precisa de um programa estratégico e permanente, com a reformulação da legislação trabalhista”, pontua.

Sérgio Goyana, presidente da CUT em Pernambuco, diz que a central é contrária à medida. Segundo ele, a CUT defende a aprovação da PEC 232, que reduz de 44 horas/semanais para 40 horas/semanais a jornada de trabalho para criar mais empregos. A última vez que aconteceu no país foi na Constituição de 1988, quando caiu de 48 horas para 44 horas. 

O economista Jorge Jatobá, sócio-diretor da Ceplan Consultoria, diz que o modelo conhecido como layoff (redução temporária de jornada) não é novidade. Já foi usado nos Estados Unidos e nos países da Europa, como a Alemanha. Ele destaca que se trata de uma medida temporária de enfrentamento da crise para preservar os empregos. 

Saiba mais

Países com jornadas normais de 40 horas semanais

Argélia
Áustria
Canadá
Camarões
Cazaquistão Congo 
Costa do Marfim China 
Coreia do Sul Croácia 
Bulgária
Bahamas
Benin
Egito 
Equador
Espanha
Estônia 
Eslováquia Eslovenia 
Finlândia
Holanda
Indonésia
Itália
Japão
Latvia
Lituânia Luxemburgo Nigéria
Nova Zelândia Noruega Macedônia Madagascar
Mali
Mauritânia Moldávia 
Mongólia
Polônia
Portugal
República Tcheca Romênia
Rússia
Senegal
Togo

Países com jornadas normais diferenciadas

Brasil: 44 horas
Chile: 45 horas 
Argentina: 41,5 horas
México: 43,5 horas
Alemanha: 41,2 horas
França: 35 horas

Fonte: Diario de Pernambuco

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