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Brasil tem menos alunos formados

10 de setembro de 2014

BRASÍLIA – O número de estudantes que concluem o ensino superior no Brasil caiu 5,6% em 2013, a primeira queda em dez anos. Hoje, há um formando para cada três ingressantes (era quase 1 para 2 em 2009). Os dados do Censo do Ensino Superior são vistos pelo Ministério da Educação como acomodação em um quadro de crescimento forte. Para especialistas, o modelo de expansão do sistema no País pode ter chegado ao limite.

De acordo com dados do censo, 991.010 pessoas se graduaram, 59,4 mil a menos do que em 2012. A proporção de concluintes também caiu. Em 2013, os formandos representaram 36% dos estudantes que entraram no ensino superior no mesmo ano. Em 2010, eram 45%.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), Francisco Soares, a queda na proporção se explica pelo aumento considerável no número de vagas abertas. "É natural que, hoje, tenha mais alunos entrando do que saindo", explicou ele. Para especialistas, porém, a queda no percentual pode indicar dificuldades econômicas durante o processo – e seria preciso investigar as causas de desistência.

Os números divulgados mostram ainda que o ritmo de expansão do ensino superior brasileiro diminuiu. Depois de alcançar um pico de crescimento de 10% a mais de vagas criadas entre 2007 e 2008, esse índice vem caindo consistentemente, alcançando um avanço de apenas 3,7% entre 2012 e 2013. No mesmo período, o número de estudantes que iniciaram um curso em instituições públicas de ensino caiu quase 3%, e subiu apenas 0,5% no ensino privado.

A queda no número de ingressantes aconteceu em maior proporção nas instituições públicas. O ministro da Educação, Henrique Paim, atribuiu o fato aos cursos a distância. Da mesma forma, essa seria a explicação para parte da redução no número de formandos entre 2012 e 2013, concentrada nos cursos a distância e nas instituições privadas. "Foram turmas específicas, criadas para uma determinada formação. Quando o curso acabou, elas não foram renovadas", disse. Já no caso da queda nas privadas, Paim admite que são necessários estudos para descobrir as causas.

PNE

O censo indica o quanto o Brasil ainda precisaria crescer para alcançar as metas de inclusão determinadas pelo novo Plano Nacional de Educação. O PNE determina que, em 10 anos, a taxa de pessoas no ensino superior seja o equivalente a 50% dos jovens de 18 a 24 anos. Hoje, o percentual é de 28,7%.

Apesar do crescimento de 12 pontos desde 2003, o ritmo de inclusão deveria ser acelerado ainda mais para cobrir aumento de mais de 20 pontos até 2023.

Fonte: Jornal do Commercio

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