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Bebida mais cara só após Copa
14 de maio de 2014O governo federal decidiu adiar por três meses o aumento de tributos sobre bebidas frias. A medida foi anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o objetivo de evitar reajustes de preços durante a Copa do Mundo.
Segundo Mantega, o aumento de tributos que estava previsto para entrar em vigor dia 1º de junho ficará para 1º de setembro.
O governo decidiu também que o reajuste não será dado de uma única vez, mas será feito de forma parcelada. Mantega disse que o período do parcelamento será decidido nos próximos três meses.
De acordo com presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, o mais provável é que o governo parcele esse aumento em um período de dois ou três anos.
Solmucci disse ainda que as empresas do setor se comprometeram a manter investimentos, não demitir trabalhadores e não reajustar preços durante a Copa.
Ele, e outros representantes do setor, estiveram reunidos ontem com o ministro da Fazenda. Antes da reunião, eles haviam dito que ocorreria reajuste de preços, caso o governo não suspendesse o aumento dos tributos, e que haveria também demissões de cerca de 200 mil trabalhadores.
Mantega afirmou também que o governo estava preocupado com o impacto da medida sobre a inflação.
No final da reunião, Mantega anunciou: "Acabamos de fazer a reunião com o setor de bebidas, hotéis e bares a respeito da nova tabela que implica uma recomposição de tributos. Então, nós suspendemos a aplicação dessa tabela temporariamente para um aperfeiçoamento. Havia alguns pontos de divergência na tabela quanto aos preços que foram capturados e vamos, nesse período, daqui a três meses, ter um aumento que será diferido ao longo do tempo." O ministro ressaltou que, ao longo dos últimos dois anos, o governo federal tem "reduzido o tributo para bebidas." E completou: "Nós fizemos aqui um pacto de que não haveria aumento de preços durante a Copa e, de preferência também, depois da Copa."
"Estamos bastante satisfeitos. O governo se sensibilizou e vai atender ao pleito de não haver aumento de impostos", afirmou Paulo Solmucci. "O consumidor não aguenta mais nenhum repasse de preços."
Questionado sobre um possível aumento nos preços ao consumidor a partir de setembro, o presidente da Abrasel disse que, se for definido um aumento alto dos impostos, poderá haver repasse.
"Se o ministro definir um aumento grande, sim. Mas vamos trabalhar com a hipótese otimista de que o governo vai diluir isso ao longo dos anos e que não haverá impacto grande", disse.
Segundo Solmucci, durante a Copa, o setor de bares e restaurantes pode contratar entre 200 mil e 300 mil trabalhadores temporários. "Vamos fazer uma Copa sem aumento. Estamos animados", afirmou.
Em 29 de abril, a Receita Federal anunciou que o governo fará um novo aumento de tributação de bebidas frias, o que aconteceria a partir de 1º de junho. O setor pediu a Mantega que aguardasse pelo menos até outubro, e fizesse o aumento de forma escalonada. Ao anunciar o aumento de imposto, no mês passado, o governo informou que a medida teria um impacto de 1,3% sobre o preço final dos produtos refrigerantes, cervejas, isotônicos e refrescos.
Fonte: Jornal do Commercio
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