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BC preocupado com inflação

19 de julho de 2013
BRASÍLIA – O Banco Central (BC) admitiu ontem que a alta recente do dólar vai pressionar a inflação no curto e no longo prazo e afirmou que será necessário continuar elevando a taxa básica de juros para reduzir os preços. A avaliação faz parte da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual a instituição explica as razões que a levaram a aumentar os juros na semana passada de 8% para 8,5% ao ano. A aposta predominante no mercado financeiro é de outro aumento de 0,5 ponto porcentual, no fim de agosto, com possibilidade de novos apertos na taxa até o fim do ano.

No documento, o BC fez uma avaliação mais dura sobre o impacto do câmbio nos preços, ao afirmar que efeitos secundários da desvalorização do real, "que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária". O Copom também considera que a depreciação e a volatilidade do câmbio "ensejam uma natural e esperada correção de preços".

 
A instituição usou em suas contas uma taxa de R$ 2,25. Na ata do início de junho, o dólar utilizado foi de R$ 2,05. Mesmo com a alteração, as projeções de inflação do BC para 2013 e 2014 se mantiveram, embora continuem acima do centro da meta de 4,5%. Um fator positivo é a revogação de reajustes nas tarifas de transporte urbano no mês passado, que vai reduzir o índice de preços em 0,7 ponto porcentual.
 
Também reforçou as apostas em novas altas de juros a afirmação da ata de que "o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso". Além disso, apesar da queda recente em alguns índices de preços, o BC afirmou que a inflação continua elevada e mostra resistência, um processo que precisa ser revertido.
 
Em relação ao crescimento econômico, a ata faz duas ponderações importantes. A primeira, que a demanda doméstica tende a se apresentar "relativamente robusta" e não mais "robusta", como citado na versão anterior. A instituição destaca ainda a queda na confiança de famílias e empresas, fator que pode prejudicar a atividade se também não for revertido.
 
Do lado externo, o BC menciona a volatilidade criada pela expectativa de mudança da política monetária dos Estados Unidos e diz que o cenário internacional ainda é um fator que contribui para segurar os preços. 

Fonte: Jornal do Commercio

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