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BC intervém, mas dólar vai a R$ 2,34

16 de agosto de 2013
SÃO PAULO – O Banco Central (BC) bem que tentou segurar o avanço do dólar em relação ao real no início do dia de ontem, por meio de um leilão de swap cambial, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. Mas o momento da operação, que havia sido anunciada na noite anterior, coincidiu com a divulgação de dados bastante bons sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Com isso, os investidores deixaram em segundo plano o swap do BC brasileiro e foram em busca de dólares.

No pico da sessão, a moeda norte-americana chegou a ser cotada acima dos R$ 2,35, para depois encerrar com alta de 0,86%, a R$ 2,343. Esse é o maior patamar de fechamento desde 11 de março de 2009, quando atingiu R$ 2,35. Em 2013, a moeda norte-americana já subiu 14,57% ante o real.

 
Na quarta-feira, com os mercados já fechados, o BC anunciou, para as 9h30 de ontem, um leilão de até 40 mil contratos de swap cambial. Antes do início da operação, o dólar até chegou a recuar ante o real, em meio à expectativa com o swap e com os dados que seriam divulgados nos EUA.
 
O problema é que os números norte-americanos foram muito bons, fortalecendo a procura por dólares, com a percepção de que o início da redução dos estímulos à economia dos EUA está próximo.
 
O Departamento do Trabalho dos EUA informou que o número de trabalhadores que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego caiu 15 mil, para 320 mil, na semana até 10 de agosto. O mercado esperava recuo para 335 mil.
 
Como os dados dos EUA também saíram às 9h30, com o swap em andamento no Brasil, o leilão do BC acabou passando em branco no sentido de segurar as cotações – embora a autoridade monetária tenha sido bem-sucedida na oferta. O BC vendeu todos os 40 mil contratos. "O leilão de swap acabou não fazendo preço, porque coincidiu com a divulgação dos dados dos EUA. Então, o dólar virou lá fora e aqui", comentou João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora. "A diferença é que, à tarde, algumas moedas de países emergentes se valorizaram, enquanto o real não acompanhou." Para um profissional da mesa de câmbio de um banco, o descolamento do dólar no Brasil nesta tarde, quando a moeda norte-americana subia aqui e recuava lá fora, deve-se à própria situação do País. "Nossa moeda (o real) tem sido mais flexível a qualquer sinalização de que o Federal Reserve está perto de reduzir seus estímulos. E por causa da situação do País, com inflação alta e baixo crescimento, ela acaba não acompanhando tanto o que ocorre lá fora." 

Fonte: Jornal do Commercio

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