SÃO PAULO – O montante de US$ 1,774 bilhão foi insuficiente para acalmar o mercado de câmbio ontem. Esse foi o valor que o Banco Central (BC) jogou no mercado para tentar conter a alta do dólar. O esforço foi em vão e a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 2,4360 – maior patamar desde 2 de março de 2009 – um avanço de 1,75% ante o dia anterior.
A expectativa pela divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fez o mercado iniciar o dia nervoso e a volatilidade só aumentou após a divulgação do documento à tarde.
A ata, apesar de não deixar claro quando começa a redução dos estímulos à economia dos EUA, diz que eles devem terminar em meados de 2014 "se a economia melhorar, como se espera". Na prática, isso significa menos dólares no mercado global e uma economia norte-americana mais atrativa ao capital internacional, em detrimento de países emergentes como o Brasil.
A atuação do BC não parou por aí. Além do leilão de swap cambial de rolagem programado para hoje, a autoridade monetária, após o fechamento do mercado à vista, convocou nova operação de venda de dólares com recompra programada, em dois momentos. No total, serão ofertados até US$ 4 bilhões.
O fato é que, apesar dos esforços do BC, os profissionais do mercado veem mais possibilidades de o dólar romper os R$ 2,50 do que de a moeda voltar para os R$ 2,30. "O mercado, na dúvida, acaba correndo para o dólar. E com todo o cenário que a gente está vendo, no Brasil e no exterior, parece que o dólar vai buscar os R$ 2,50", diz um profissional da mesa de câmbio de um banco.
"Boa parte da alta do dólar nos últimos três meses já foi para antecipar esse processo de retirada de estímulos pelo Fed. Mas agora que a questão está se definindo vão surgindo novas pressões de alta", afirma Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora.
Na avaliação do economista-chefe da Santander Asset Management, Hugo Penteado, não há no documento nada que justifique o estresse do mercado de câmbio.
"A nossa leitura da ata é a de que o Fed não se prendeu a um cenário de quando vai começar a reduzir as compras de títulos e nem qual será a magnitude. Manteve o mesmo script da ata anterior", disse Penteado ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.
Segundo Penteado, o Fed deverá iniciar o processo de redução de compra de títulos em setembro, ressaltando que isso não está na ata. Mas isso vai depender muito de como virão os pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos e, mais precisamente no dia 6 de setembro, os dados referentes ao mercado de trabalho nos Estados Unidos.
Fonte: Jornal do Commercio