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Bancos assediam os servidores no prédio da Funape

18 de abril de 2008

Carla Seixas

cseixas@jc.com.br

O anúncio do governo do Estado de alterar as regras para a operação do empréstimo consignado – que visa reduzir as taxas e diminuir o assédio ao servidor nos prédios públicos – ainda não surtiu efeito. No edifício da Fundação da Aposentadorias e Pensões dos Servidores do Estado de Pernambuco (Funape), no Derby, a oferta de crédito é farta. Basta passar pelo local que os representantes de boa parte dos 46 bancos que hoje operam com o empréstimo fazem a proposta de um suposto “dinheiro fácil e rápido”. Prometem até o que não é recomendando pelo governo: a liberação do dinheiro em espécie, ao contrário de transitar pela conta ou ser feito por um cheque-administrativo.

Hoje, o Estado publica no Diário Oficial a portaria regulamentando uma série de medidas para os bancos. Entre elas, a proibição de transitar nas repartições e assediar os funcionários com a oferta do empréstimo produto. Algo que, no momento, parece contraditório, tendo em vista que no térreo do prédio do governo sete pequenas agências atuam e pagam aluguel pelo uso do patrimônio público. Segundo a Secretaria de Administração, os pontos foram locados desde 2004, com contratos de cinco anos.

Ontem, a reportagem acompanhou a rotina de trabalho desses “atendentes”. Embora estejam trajando a camiseta de alguma instituição, não são necessariamente vinculados à empresa. Eles recebem comissão por empréstimo. Por conta disso, os atendentes se oferecem para “auxiliar” o cliente em tudo, chegando a direcionar o servidor ao ponto onde é feita a senha do PE-Consig, sistema que administra o crédito.

“A gente trabalha até com refinanciamento. Se você já pagou 12 parcelas e precisa de um outro empréstimo, pode refinanciar. E, se a pessoa quiser, já sai com dinheiro”, explica um atendente que, ao saber da reportagem, preferiu não se identificar. Outra medida que consta na portaria do governo é limitar a operação do consignado em cinco instituições por dia, com a seleção feita a partir da melhor taxa de juro para acirrar a concorrência e baixar as taxas. As cooperativas de crédito (Unicred e a Credipe) estão fora dessa “seleção”. Ficam, assim, sete opções de crédito.

Fonte: Jornal do Commercio

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