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Bancários intensificam greve

6 de outubro de 2006

 

A greve dos bancários se intensificou ontem em todo o País. Em Pernambuco, ontem foi o dia de maior adesão em número de agências e funcionários dos bancos oficiais. Para marcar os 10 dias do movimento no Estado, os grevistas realizaram uma passeata pela Centro do Recife e invadiram agências de bancos privados, onde a adesão ao movimento é mais baixa, impedindo o atendimento aos clientes. Pelos dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 190 mil dos 400 mil bancários pararam em todo o País. São Paulo, que concentra 30% da categoria no País, também entrou em greve.

A categoria pede reajuste real de 7,05% e mais correção pela inflação. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ofereceu inicialmente um aumento de 2%, ampliando a proposta esta semana para 2,85%, o equivalente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

De 4.072 funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste em Pernambuco, 3.779 estavam em greve ontem. Isso representa uma adesão de 93%, a maior já obtida desde o início do movimento. A quantidade de agências de bancos públicos atingidas chegou a 207, de um total de 228, uma participação de 91%.

Nos bancos privados, porém, o funcionamento foi praticamente normal ontem porque os grevistas estiveram envolvidos na passeata e não fizeram piquetes. Nessas instituições bancárias, a adesão é mais fraca e exige um envolvimento maior do sindicato. O primeiro dia de greve foi o mais forte entre os bancos privados, com 33 agências paradas. Anteontem, o Sindicato dos Bancários de Pernambuco contabilizou 13 agências privadas paradas.

ATO PÚBLICO – Durante a passeata realizada ontem, porém, os grevistas impediram o funcionamento dos bancos ABN Real e o Bradesco da Conde da Boa Vista durante cerca de 10 minutos. Cerca de 100 manifestantes entraram nos estabelecimentos e promoveram um apitaço.

Posteriormente, os grevistas seguiram para a unidade do Bradesco da Rua da Concórdia, inviabilizando o atendimento no local durante todo o período da tarde. Nessa agência, cerca de 500 pessoas (segundo números do sindicato) promoveram um apitaço. No local, foi realizada uma assembléia que deliberou pela continuidade da greve. Marlos Guedes, presidente do Sindicato dos Bancários, explica que o estabelecimento foi escolhido pelo fato de o Bradesco ter forte poder de pressão na Fenaban e porque a agência da Concórdia é a maior da empresa na América Latina. Uma porta do banco foi quebrada durante o ato. Guedes nega o envolvimento de um grevista. “Não foi ação de bancário, foi um cliente que tentou abrir a porta com um ferro e o vidro trincou”, conta. O Bradesco, por meio da sua assessoria de imprensa, respondeu que não se pronuncia sobre o assunto.

Os grevistas partiram do sindicato, na Rua Manoel Borba, por volta das 10h30 da manhã de ontem e seguiram em passeata pela Avenida Conde da Boa Vista. O presidente do Sindicato dos Bancários estima que o ato foi iniciado com a participação de 600 pessoas e foi crescendo ao longo do caminho, chegando a contar com cerca de 1 mil manifestantes.

Fonte: Jornal do Commercio

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