Depois de passar muitos anos sem projetos de revitalização ou reorganização, a Avenida Norte surge, enfim, como foco prioritário de ações de mobilidade para o governo de Pernambuco e Prefeitura do Recife. O governador Eduardo Campos e o prefeito Geraldo Julio participaram de reunião, ontem, no Ministério do Planejamento, em Brasília. Na bagagem, um conjunto de propostas que demandam recursos de até R$ 6,4 bilhões. A principal delas é a implantação de um novo modal de transporte público para atender a população residente no entorno da via, uma das mais importantes e engarrafadas da cidade. A iniciativa proposta pelos gestores é a construção de uma linha de metrô subterrâneo ou a instalação de um monotrilho, que apesar dos altos custos (R$ 4,1 bilhões e 2,1 bilhões, respectivamente), passam a ser as apostas para a solução do trânsito na Zona Norte. "Se observarmos o que já existe em funcionamento na RMR e as obras em andamento, nada beneficia a Zona Norte. É uma área carente de investimento, então, passou a ser vista como prioridade", explicou o prefeito. As intervenções estão agora em fase de seleção e não há previsão de quando o governo federal anunciará as escolhidas.
O que mais chama a atenção no conjunto de propostas é a mudança de postura governamental, que passa a priorizar o transporte sobre trilhos. "É uma evolução e precisamos reconhecer o mérito do governo nesse sentido", comemora o coordenador da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) no Nordeste, Cesar Cavalcanti. No entanto, ele destaca a dúvida sobre o tipo de modal escolhido para Avenida Norte. "Não creio que metrô e monotrilho sejam opções mais adequadas. Acho que o mais viável seria o BRT ou BRS, por causa do custo e do tempo demandado para a implantação."
O BRT, que usa ônibus, já foi visto como uma opção para solucionar os problemas de trânsito na via, mas a ideia nunca saiu do papel. "Enviamos o projeto (do governo federal) para o PAC Pavimentação. Era uma opção mais barata, mas havia empecilhos, como a necessidade de desapropriação de grande número de propriedades", explicou o secretário estadual das Cidades, Danilo Cabral. Para ele, o monotrilho tem grandes chances de ser aprovado, pois já tem projeto. "Além de mais caro, o metrô ainda não tem projeto e começaria do zero", explicou. Segundo o secretário, se aprovada, a obra pode ser iniciada no primeiro semestre de 2014.
Questionados sobre os custos de operacionalização do monotrilho, o secretário das Cidades e o prefeito do Recife apresentaram diferentes opiniões. "Como a instalação do modal será bancada pelo governo federal, o custo para as operadoras diminui, o que ajuda na redução de tarifas", afirmou Danilo Cabral. Para Geraldo Julio, "o monotrilho teria que ser subsidiado, nos mesmos moldes do metrô, com verba federal".
MAIS IDEIAS
A proposta unificada de criação de sistemas de alta capacidade inclui duas linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT): uma com 8,6 quilômetros de extensão, ligando o bairro da Boa Vista ao Cais José Estelita, passando pelo Bairro do Recife. A segunda seria o Ramal Sul, com 9 quilômetros, ligando o Aeroporto do Recife ao Marco Zero. Os VLTs estão orçados em R$ 1,02 bilhão e R$ 1,08 bilhão, respectivamente.
Outro projeto prevê a criação de BRS em quatro corredores viários: Abdias de Carvalho, Mascarenhas de Morais, Domingos Ferreira e avenida Beberibe, um total de 28,5 quilômetros.
As ações incluem, ainda, o Corredor Fluvial Sul e integração dos corredores Norte e Oeste. Obras orçadas em R$ 172 milhões. Fechando o pacote de propostas, um projeto de BRT em Caruaru (Agreste) e uma linha VLT em Petrolina (Sertão).
Fonte: Jornal do Commercio