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Aumento só se a economia melhorar

23 de fevereiro de 2016

Em meio à pressão dos servidores municipais por reajuste salarial, a Prefeitura do Recife apresentou ontem proposta de aumento condicionado ao crescimento da receita do município. Pelos cálculos do Executivo, os salários só vão ser reajustados se a Receita Líquida Real (RLR) do município crescer acima de 2%. Nesse caso, exemplifica o secretário de Administração e Gestão de Pessoas (SADGP), Marconi Muzzio, será concedido 1,5% de aumento. Se passar de 10% de incremento na receita, o reajuste será de 7,5%.

Os sindicatos dos servidores não reagiram bem à alternativa e a categoria fará nova assembleia hoje para definir se acata a medida. No limite de alerta de gastos com pessoal, o Executivo diz que precisa equilibrar as contas e recuar do patamar de gasto com pessoal antes de conceder benefícios.

No último quadrimestre de 2015, a gestão comprometeu 49,74% com folha de pagamento. Em 2015, a Receita Corrente Líquida (RCL) do Recife cresceu 0,21%, bem abaixo da inflação do período. De acordo com a proposta da prefeitura, a cada 1% de aumento da receita, 0,75% será direcionado ao reajuste do servidor. "A gente tem a disposição, mas tem a responsabilidade de não consumir com pessoal mais do que arrecadamos", disse Muzzio.

Em termos práticos, se o quadro financeiro de 2015 se repetir este ano não haverá aumento, uma vez que o crescimento da receita foi inferior a 1% no ano passado. "Os servidores pediram alternativa e a gente criou, mas, tanto os servidores quanto a gestão devem rezar para que o País comece a melhorar. Quem sabe o novo ministro (da Fazenda) Nelson Barbosa faça algum movimento e a situação mude", comentou.

Para o diretor do Sindicato dos Servidores do Recife, Clínio Oliveira, a proposta não apresentou nada de concreto. "O sentimento de todos os servidores foi de indignação", disse. Ele avalia que é um "descaso" da gestão vincular a proposta de aumento ao crescimento da arrecadação.

MOBILIZAÇÃO

Questionado sobre a possibilidade de greve, Clínio disse que a categoria está mobilizada, mas ainda não pode cravar se haverá paralisação. "Amanhã (hoje) a gente vai colocar a proposta para avaliação e a categoria define qual o próximo passo", ponderou.

De acordo com a prefeitura, a cada bimestre será divulgado o número de crescimento da RLR e, segundo o índice, os servidores poderão garantir o reajuste proporcional.

Dados financeiros do sexto bimestre do ano passado, divulgados no Diário Oficial, apontam que a despesa com pessoal e encargos cresceu 15% na comparação 2014-2015. Os recursos com folha de pagamento passaram de R$ 1,7 bilhão para R$ 2 bilhões.

Fonte: Jornal do Commercio

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