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Arrocho no servidor
16 de agosto de 2017A equipe econômica do governo Michel Temer anunciou, na noite de ontem, várias medidas de austeridade para ajustar as contas públicas. Como já era esperado, o déficit no Orçamento da União para 2017 e 2018 foi revisto. Agora, o rombo será de R$ 159 bilhões, ante a previsão inicial de R$ 139 bilhões e R$ 129 bilhões, respectivamente (leia matéria vinculada). Para se chegar a esses valores, contudo, os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) afirmaram que será preciso apertar os cintos das despesas. E o arrocho será sentido com mais intensidade pelos servidores federais (com exceção dos militares), cujos salários serão congelados pelo prazo de 12 meses.
Com a postergação dos aumentos – que precisa do aval do Congresso – o governo espera economizar R$ 5,1 bilhões em 2018. As categorias teriam aumento a partir de agosto deste ano ou janeiro do ano que vem, conforme negociação feita em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
"Decidimos não tomar nenhuma medida de imediato em relação a militares. A remuneração deles será tratada junto com a questão da Previdência (da categoria)", afirmou Dyogo Oliveira.
O anúncio já provocou a reação dos representantes dos servidores públicos federais. A categoria fará um dia de paralisação contra a proposta. "Vamos fazer atos públicos para mostrar que, se o governo insistir em congelar reajuste, vamos endurecer nossas ações", afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Silva.
O dia nacional de protestos será realizado entre os próximos dias 29 e 31 e caberá à base definir a data das paralisações nas suas regiões. Além da paralisação de um dia, duas ações foram aprovadas durante a reunião de sindicalistas, realizada ontem. Departamentos jurídicos dos sindicatos trabalharão em conjunto para definir a melhor linha para a ação judicial que será movida caso haja o congelamento. "Também será apresentada denúncia na Organização Internacional do Trabalho (OIT) por descumprimento da convenção 151, que trata da negociação coletiva do funcionalismo", afirmou Silva.
O pacote de medidas direcionadas ao funcionalismo público ainda inclui aumento da alíquota previdenciária dos atuais 11% para 14%, no caso de servidores que recebem acima de R$ 5,3 mil, atual teto do INSS. Com isso, o governo espera arrecadar R$ 1,9 bilhão em 2018.
A equipe econômica anunciou, ainda, o cancelamento do reajuste para cargos e comissões do Poder Executivo e a redução da ajuda de custo a servidores no caso de transferência e auxílio-moradia.
O auxílio de custo para transferência, que hoje pode chegar a três remunerações mensais, será reduzido para no máximo uma, o que deve gerar economia de R$ 49 milhões por ano. Já o auxílio-moradia ficará limitado a no máximo quatro anos e seu valor decrescerá 25% a cada ano, o que proporcionará economia de R$ 35 milhões. Hoje, o tempo de concessão do auxílio-moradia é ilimitado.
Os ministros anunciaram também a redução dos salários iniciais de todas as categorias do serviço público, elevando o número de patamares na escala de progressão na carreira de 12 para 30 níveis.
"Em dez anos, isso trará uma redução acumulada de R$ 70 bilhões com despesas de pessoal", afirmou o ministro. Ele informou também que o governo pretende fazer uma implantação efetiva do teto remuneratório do serviço público (atualmente em R$ 33,7 mil), o que, apenas no âmbito da União, proporcionará economia de R$ 725 milhões.
Também foi anunciado a extinção de 60 mil cargos do Executivo Federal. A medida não terá impacto econômico, já que esses postos estão desocupados. Mas, segundo Oliveira, "com isso, no futuro, evitamos a ampliação da despesa".
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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