Um ponto final na bagunça no entorno do Mercado de Afogados, na Zona Oeste do Recife, começa a ser colocado a partir de amanhã. Terreno de 3,6 mil metros quadrados, avaliado em R$ 900 mil, será desapropriado pela Prefeitura do Recife. Cerca de 400 ambulantes foram cadastrados esta semana e serão realocados para o local depois do Carnaval. Nesse intervalo de tempo, eles poderão exercer seu trabalho normalmente, sem fiscalização.
A propriedade fica localizada no n° 99 da Rua João Carlos Guimarães, por trás de onde funciona, atualmente, agência do banco Bradesco, no Largo da Paz. Vão ser instalados 508 boxes no espaço. Vendedores da feira e do mercado público da localidade também serão transferidos, devido à lotação das unidades.
José Farias de Santana, 62, trabalha há mais de 30 anos na balbúrdia do coração da feira livre e ficou de fora do cadastramento. Ele sustenta nove pessoas com os R$ 200 que lucra por semana e ainda não sabe o que fazer. "A Diretoria de Controle Urbano (Dircon) esteve aqui na última segunda e prometeu que não iria tirar a gente daqui até o Carnaval e que seria realizada reunião com representantes dos ambulantes hoje. Soube também que vendedores aposentados não terão direito a mais de um quiosque no novo espaço, que desconheço onde fica. Espero que seja um lugar com movimento e que eu entre na cota", conta desesperado.
A Reportagem do JC esteve na feira livre de Afogados e verificou a situação de abandono em que ela se encontra. Praticamente não existem calçadas nos dois lados da Estrada dos Remédios, que corta o coração do centro de compras. Esgoto a céu aberto e resto de frutas e verduras por todos os cantos são problemas corriqueiras, enfrentadas pelos transeuntes. Carros estacionados em local proibido e alimentos vendidos sem nenhum tipo de higienização também são frequentes.
A aposentada Maria José do Nascimento, 60, mora no bairro e faz compras todos os dias no local. "Não consigo andar direito pelas calçadas daqui. São muitas barracas e caminhonetes descarregando produtos. Isso atrapalha a passagem dos pedestres. Sei que eles precisam ganhar o pão de cada dia deles, mas é preciso de mais organização", reclama.
O Centro de abastecimento de Afogados é um complexo formado por quatro unidades com finalidades distintas. No mercado maior, são vendidos carne fresca, queijos e laticínios, além de cereais, vasilhames, calçados e roupas. Ele dispõe, ainda, de 95 bares na área externa. Já no mercado de peixes, é comercializada, em média, uma tonelada do produto e de crustáceos por semana. No pátio, há a venda de frutas, verduras e legumes. Enquanto isso, o Centro de Serviços reúne, basicamente, bares e lanchonetes populares.
O Mercado de Afogados foi inaugurado na gestão do prefeito Pereira Borges. O Governador era Carlos de Lima Cavalcanti e a inauguração se deu no dia 4 de Novembro de 1934, num domingo, às 7h. Nesta época, a Estrada dos Remédios era feita de barro e iluminada à base de lampiões. No local, havia um viveiro de peixes, que representava o ganha pão de numerosas famílias. Tudo indica que pouca coisa mudou em algumas décadas.
Fonte: Jornal do Commercio